

Chaves, personagem criado por Roberto Bolaños, até hoje faz sucesso no Brasil
"Para a seleção mexicana, vejo a possibilidade de passar da primeira fase e nada mais. Isso porque pegaria a Holanda na segunda fase... Não tenhamos ilusões", garantiu Chespirito em entrevista à Reuters.
O México estará no Grupo D do Mundial, ao lado de Irã, Angola e Portugal, e pode enfrentar Holanda ou Argentina se chegar às oitavas-de-final.
"Coloco os pés no chão, conheço o esporte, principalmente o futebol. E ganhar da Holanda, que voltou a jogar em conjunto como a famosa 'laranja mecânica', não há como", disse o ator de 77 anos.
Chespirito é um apaixonado por futebol e sempre lembra o dia que conheceu o astro do futebol argentino Diego Maradona, que lhe agradeceu pela diversão que lhe proporcionou quando era criança. Bolaños então agradeceu ao ex-jogador por lhe proporcionar diversão com seus gols.
"Me parece que a Holanda está voltando a jogar um pouco ao estilo da 'laranja mecânica', tem jogadores muito bons, força, inteligência e, na Europa, acho difícil ganhar uma seleção da América", afirmou.
E agora, quem poderá nos defender?
Para o criador de personagens como Chiquinha, Quico, Dona Florida e Seu Madruga, todos da série Chaves, uma das deficiências que a seleção mexicana enfrentará na Copa é a falta de criatividade no jogo de equipe.
"É uma das coisas que falta ao México. Quem vai ser o organizador inteligente, distribuidor de bolas? Não encontro alguém que possa organizar a criatividade em torno do conjunto", disse.
Chespirito, torcedor do América do México, insinuou que esse jogador poderia ser o meia-atacante Cuauhtémoc Blanco, considerado por alguns o melhor jogador mexicano na atualidade, mas que foi deixado de fora da equipe pelo treinador argentino Ricardo La Volpe.
A ausência de Blanco causou polêmica entre a torcida mexicana. Há quem acredite que La Volpe abriu mão de um jogador-chave e outros acham que o técnico tomou a decisão correta por se tratar de um atleta que estava machucado e que não atravessava um bom momento.
"Não sei como ele está agora, mas desde logo era (candidato a ser o organizador da equipe) porque sabe distribuir aos jogadores em campo, dar a eles o passe preciso e surpreendente porque é um jogador que não se sabe o que vai fazer."
Apesar de sua paixão pelo esporte, Bolaños se disse cansado da maneira com que o futebol é jogado atualmente.
"O excesso de passes laterais segue me incomodando terrivelmente, jogar assim é jogar com medo", exclamou irritado.
Esses fatores, aliados a sua avançada idade, podem fazer com que ele não acompanhe o próximo Mundial.
"Será o meu último Mundial. Posso morrer, mas não é por isso, é porque se o futebol seguir como está, não vou perder o meu tempo. Tenho 77 anos e tomara esse seja meu último Mundial pela televisão", disse com um olhar de tristeza.
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