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10/06/2006 - 11h51

Inglaterra se contenta em bater Paraguai com gol-relâmpago

Da Redação *
Em São Paulo

CENAS DO JOGO

AFP
A chegada do príncipe WilliamReuters
Aos 3min, Gamarra tenta cortar...Reuters
...mas acaba fazendo o gol contraReuters
Ashley Cole e Beckham festejamReuters
Crouch disputa com Nelson ValdezReuters
Luta árdua de Bonet e Lampard

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Com um começo elétrico e a ajuda do nervosismo adversário e um gol logo a 3min, a Inglaterra garantiu sua vitória sobre o Paraguai por 1 a 0, neste sábado em Frankfurt pelo grupo B da Copa do Mundo. Mas, no geral, o rendimento da "geração de ouro" inglesa ficou abaixo do esperado, caindo muito no 2º tempo.

O gol foi creditado durante a partida como sendo contra de Gamarra, que tocou de cabeça na bola chutada por Beckham. Duas horas depois da partida, a Fifa comunicou que fará uma análise do vídeo do lance no sábado à noite e poderá conceder a autoria a Beckham (clique aqui para mais detalhes). A decisão será anunciada neste domingo.

Logo após a partida, o técnico Sven-Goran Eriksson, da Inglaterra, deu à emissora de TV britânica BBC a desculpa do calor --justificativa favorita dos ingleses desde a Copa no México em 1970. A temperatura máxima durante a partida foi de 29ºC.

"Sofremos muito hoje. Foi o primeiro dia realmente quente aqui e isso nos derrubou um pouco no 2º tempo. Os jogadores disseram que estava tão quente quanto no jogo contra o Brasil em 2002", declarou Eriksson à BBC.

Os ingleses começaram com contra-ataques rápidos e bom entrosamento do meio-campo. O ímpeto foi diminuindo na metade final do 1º tempo, quando o Paraguai recuperou algum equilíbrio emocional depois de caos tático e técnico, além da substituição de seu goleiro logo a 5min de jogo.

"Cometemos erros nos primeiros 15 minutos e fomos surpreendidos, mas acordamos e controlamos os ingleses", analisou o técnico Aníbal Ruiz, do Paraguai. "Conseguimos controlar o jogo e bloquear jogadores perigosos como Crouch, mas não tivemos a precisão para fazer gols. O que nos incentiva é que jogamos bem e podemos obter os resultados para chegar à próxima fase".

O domínio da Inglaterra no 1º tempo se refletiu nos números. Foram oito chutes a gol, o dobro dos paraguaios. A bola ficou com a Inglaterra em 54% da etapa, contra 46% dos paraguaios. E as estatísticas indicaram que os britânicos mantêm a tradição do jogo aéreo: foram onze jogadas desse tipo, contra cinco do Paraguai.

No 2º tempo, a Inglaterra já manifestou a vontade de se reforçar atrás, com a substituição do atacante Owen pelo meia defensivo Downing, logo aos 10min.

"Eu queria alguém com pernas descansadas. Mas acho que Owen foi bem e ficará melhor", afirmou o técnico Eriksson. Owen ainda parece fora de ritmo por ter ficado sem jogar de janeiro a abril por causa de uma fratura de metatarso semelhante à de Wayne Rooney.

Menos constantes no ataque, os ingleses deram preferência a chutes de longe. Graças a dois desses, Lampard foi eleito o melhor jogador em campo pelo departamento técnico da Fifa. O mais perigoso foi aos 27min, mandado para escanteio pelo goleiro Bobadilla.

O Paraguai, que voltou mais organizado na marcação e nos ataques, fez uma mudança inversa à inglesa: Bonet deu lugar ao atacante Cuevas.

Mas, mesmo antes dessa alteração, já levava mais perigo aos ingleses no 2º tempo. Paredes chutou por cima depois de uma falha do goleiro Robinson num cruzamento e, pouco depois, Valdez fintou Gerrard e chutou de esquerda, para defesa de Robinson.

Nem parecia o mesmo Paraguai que começou a partida à beira de um colapso nervoso. Um show de erros e trapalhadas com uma pitada de azar. E até mesmo um pouco de sorte: mesmo com toda essa bagunça, a Inglaterra só conseguiu um gol -ainda assim, um gol contra de Gamarra, logo aos 3min.

Do lado esquerdo da intermediária, Beckham cobrou falta levantando sobre a área. Gamarra, que não é tão alto, conseguiu subir bem e cabecear a bola antes que o ataque inglês. Pena que para trás, desviando a rota da bola e enganando o goleiro Villar.

Se isso já foi ruim para Villar, dois minutos depois ficou pior: ao cortar uma bola diante de Michael Owen, o goleiro paraguaio derrapou no gramado e machucou a perna esquerda. Aos prantos, Villar deixou o campo depois dos cinco piores minutos de sua carreira.

Entrou o goleiro reserva Bobadilla, que logo foi vítima da comédia de erros da retaguarda paraguaia. Gamarra fez um recuo atrapalhado e o novo goleiro, ainda frio, se atrapalhou ainda mais e mandou a bola para escanteio quando poderia ter agarrado com facilidade.

Bobadilla também demonstrou insegurança ao defender em dois tempos um chute de longe de Lampard.

Foi o primeiro dia quente aqui e isso nos derrubou no 2º tempo

Sven-Goran Eriksson, técnico da Inglaterra
Só a partir dos 15min o Paraguai esfriou a cabeça e começou a esboçar alguma reação, embora sem maiores ameaças ao bem postado time inglês. A melhor chance dos paraguaios foi aos 47min, quando Valdez dividiu com vontade com a defesa inglesa dentro da área e disparou um chute forte que passou perto da rede.

Se a Inglaterra prometeu brilhantismo no começo, mas se acomodou no 2º tempo, o Paraguai mostrou que pode ir de um extremo emocional a outro na mesma partida. Se mantiver uma regularidade e seus jogadores fizerem o que sabem com mais freqüência, pode disputar a classificação no Grupo B com a Suécia e dar trabalho nas oitavas-de-final.

Na quinta-feira, dia 15, a Inglaterra enfrenta Trinidad e Tobago e o Paraguai terá a Suécia pela frente, num jogo importantíssimo para a classificação.

* Com agências internacionais - Atualizado às 15h






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