Uma das duas mais famosas "gerações de ouro" do futebol europeu se despedirá da Copa do Mundo no sábado, depois que Inglaterra e Portugal se enfrentarem pelas quartas-de-final.
EM BUSCA DE 1966
Se brasileiros não gostam de lembrar da Copa da Inglaterra, em 1966, quando a seleção canarinho fez uma das piores campanhas de sua história, em Portugal e na Inglaterra ela é contada de geração em geração como o momento mais feliz do futebol dos dois países.
Tanto Inglaterra quanto Portugal fizeram sua melhor campanha em Mundiais na Copa de 1966. Jogando em casa, os ingleses ganharam seu único título ao vencer a Alemanha Ocidental na final, por 4 a 2 na prorrogação, após eliminarem os portugueses na semifinal.
Já o time de Figo, caso passe mesmo à semifinal, terá igualado o feito de Portugal em 1966, quando a equipe comandada pelo craque Eusébio perdeu por 2 a 1 para os ingleses em Wembley. Os portugueses haviam despachado a Coréia do Norte, nas quartas, e o Brasil, na primeira fase, em um jogo onde Pelé foi calçado em campo.
Por coincidência, ambas as seleções são consideradas as melhores desde 1966, ano em que os ingleses ganharam seu único título mundial jogando em casa com um
time que incluía alguns dos maiores ídolos do futebol inglês. O goleiro Gordon Banks, o zagueiro Bobby Moore, o meia Bobby Charlton e o atacante Charles Hurst.
Já os portugueses, que foram eliminados pela Inglaterra na semifinal, eram comandados pelo atacante moçambicano
Eusébio, que foi o artilheiro do torneio com nove gols e acabou eleito o melhor jogador da competição.
Agora, os ingleses entram em campo com uma geração de jogadores que aliam juventude, experiência e técnica. No ataque, Wayne Rooney, de 20 anos, é a maior esperança de gols da Inglaterra.
E o meio-campo é formado por jogadores consagrados em seus clubes, como Frank Lampard, Steven Gerrard, Joe Cole e o capitão David Beckham.
Tudo bem que a os meninos de ouro do técnico sueco Sven-Goran Eriksson não convenceram até agora. Precisaram de um gol contra de Gamarra para vencer o Paraguai por 1 a 0, no jogo de estréia; suaram para derrotar os estreantes em Copas Trinidad e Tobago, por 2 a 0, no final do 2º tempo; e cederam um empate à Suécia, por 2 a 2.
Nas oitavas-de-final, não conseguiram se impor ao Equador e só seguiram na competição graças a uma cobrança de falta de Beckham.
Já os portugueses, com uma seleção que conta com jogadores de renome internacional, a exemplo de Figo, Deco, Cristiano Ronaldo e Pauleta, venceram todas as suas partidas na primeira fase - contra Angola (1 a 0), Irã (2 a 0) e México (2 a 1) - e fizeram um dos jogos mais emocionantes e violentos da Copa, nas oitavas-de-final.
Depois de 12 cartões amarelos, quatro vermelhos - recorde em Copas -, empurra-empurra para lá e para cá e jogadas violentas - até desleais - dos dois lados, Portugal derrotou a Holanda por 1 a 0.
AMIZADE À PARTE
O capitão da seleção portuguesa, Luis Figo, declarou que no sábado deixará de lado sua amizade com o astro inglês, David Beckham, a quem considera "um grande amigo".
Figo jogou com Beckham no Real Madrid na temporada 2004-2005, antes de se transferir para o Inter de Milão.
No sábado se enfrentarão às 17h locais (12h de Brasília) no estádio AufSchalke Arena de Gelsenkirchen, em partida válida pelas quartas-de-final da Copa do Mundo.
"David é um grande amigo meu", disse o atacante português nesta quinta-feira em uma entrevista coletiva à imprensa realizada no hotel Klosterpforte de Marienfeld, sede da seleção lusitana.
Figo lembrou que ao lado do volante inglês viveu grandes momentos em Madri e que o respeita também como jogador, "porque é um dos melhores do mundo na atualidade", e por isso não dá atenção às críticas a Beckham.
O 'Spice Boy' foi muito criticado especialmente pela imprensa britânica por sua atuação na Copa do Mundo, mas no domingo passado respondeu marcando o gol da Inglaterra na vitória por 1 a 0 sobre o Equador, em Stuttgart (sul), que valeu a classificação para as quartas-de-final.
"Beckham sempre deu o melhor de si por seu país e por isso é o capitão da seleção", acrescentou Figo, dizendo que espera apenas "que no sábado a noite seja mais feliz para ele".
A última chanceO confronto em Gelsenkirchen será marcado por relações curiosas entre os jogadores. Os dois craques que vestirão a camisa número 7, David Beckham e Luis Figo, são os capitães de suas equipes e, por dois anos, foram colegas de time no Real Madrid.
E para os dois a partida pode significar um passo rumo ao sonho de conquista de uma Copa, ou, por outro lado, o fim das esperanças, já que terão passado da idade para disputar a Copa de 2010 na África do Sul.
Assim como Beckham, Figo já perdeu o seu ritmo e capacidade de penetrar nas defesas. Mas a sua habilidade e visão de jogo foram importantes para que Portugal fizesse a sua melhor campanha em Mundiais em 40 anos.
Aos 33 anos, Figo continua forte e dono de uma técnica respeitada por Beckham. "Ele é um daqueles grandes jogadores com quem você tem de tomar cuidado sempre", disse o capitão inglês na quinta-feira.
Com a ausência do meia Deco, expulso na partida contra a Holanda, Figo terá de ditar o ritmo de jogo de Portugal. "Todos temos grande esperança de vencer, mas é claro que, se ficarmos entre os quatro melhores, já não terá sido uma competição ruim para nós", declarou recentemente Figo.
Após trocar o Real Madrid pela Inter de Milão no ano passado, Figo parece ter recuperado parte de sua forma física e talento. Foi ele o responsável pelos passes para a maior parte dos gols de seleção portuguesa até agora.
Sua saída do Real Madrid encerrou a competição com Beckham por um lugar entre os titulares da equipe. Assim como Figo, Beckham deu passes importantes para os gols da Inglaterra na Copa da Alemanha, além de ter garantido a vitória nas oitavas-de-final contra o Equador, marcando em uma cobrança de falta o único gol da partida.
Mas Beckham já é quase veterano. Ele, Neville e Sol Campbell já completaram 31 anos. Para eles, o jogo contra Portugal é um caso de "agora ou nunca".