Depois de duas partidas com uma formação tática mais ousada, a Itália voltou às suas origens defensivas. E a mudança surtiu efeito. Nesta quinta-feira, a Azzurra derrotou a República Tcheca por 2 a 0 e garantiu a primeira colocação do grupo E da Copa do Mundo. O resultado acabou eliminando os tchecos do Mundial, uma vez que na outra partida do grupo Gana venceu os Estados Unidos por 2 a 1 e ficou com a segunda posição.
Com os resultados, a Itália termina o grupo com sete pontos, um a mais do que Gana. A República Tcheca, vice-líder do ranking da Fifa, ficou em terceiro lugar, com três pontos. Já os Estados Unidos, que na Copa passada chegaram às quartas-de-final, terminaram na lanterna, com apenas um ponto.
Nas oitavas-de-final, a Itália vai enfrentar a Austrália, que ficou com o segundo lugar no grupo F ao empatar em 2 a 2 com a Croácia. A partida será na segunda-feira, às 12h (de Brasília), em Kaiserslautern.
Precisando apenas de um empate para avançar às oitavas-de-final, o técnico da Itália, Marcello Lippi, resolveu mexer na equipe. Ele tirou do time titular o atacante Luca Toni, deslocando Totti para a frente. Assim, pôde reforçar o meio-campo com jogadores de características marcadoras, como Camoranesi e Gattuso.
A República Tcheca também teve mudanças. Milan Baros, que não jogou as duas primeiras partidas por estar machucado, finalmente fez a sua estréia na Copa. E, municiado por Nedved e Rosicky, conseguiu as principais jogadas da seleção tcheca.
Dependendo apenas das próprias forças (uma vitória a classificaria para as oitavas-de-final), a República Tcheca começou melhor a partida. Entretanto, fez brilhar uma das armas defensivas da Itália, o goleiro Buffon.
Contando com o apoio da bela esposa na arquibancada, a atriz e modelo tcheca Alena Seredova, Buffon evitou que a pressão inicial da República Tcheca se transformasse em gol. Em três lances antes dos 20 minutos o goleiro fez defesas importantes, em chutes de Baros, Nedved e Jankulovski.
A Itália só fez a primeira finalização ao gol aos 25min, e em um lance incomum: uma cabeçada de fora da área de Gattuso, que passou por sobre o gol. O primeiro tempo teve apenas uma outra finalização italiana, mas ela foi suficiente para dar a vantagem à Azzurra.
Aos 26min, após cobrança de escanteio, o zagueiro Materazzi, que havia entrado no lugar de Nesta dez minutos antes, subiu mais do que todo mundo na área e, de cabeça, mandou para o fundo do gol.
Mais conhecido pelas jogadas violentas do que pela habilidade, Materazzi recebeu o abraço de praticamente todos os jogadores da Itália na comemoração do gol. Até Buffon deixou a sua meta para cumprimentar o zagueiro da Inter de Milão.
O gol acabou com o ânimo da República Tcheca, que deixou de atacar. E a situação ficou ainda pior para o país com a expulsão de Polak no último minuto do primeiro tempo.
Na etapa final, a Itália decidiu usar os seus atacantes. Em sete minutos, o time já havia feito duas finalizações, igualando o número de todo o primeiro tempo. Mas os chutes de Totti acabaram para fora ou para a defesa de Cech.
Buffon também teve trabalho no segundo tempo. Aos 8min, o goleiro defendeu um chute forte de Nedved. Mas a Itália estava melhor no jogo, e continuou levando perigo. Aos 22min, Inzaghi aproveitou bobeada da defesa tcheca e, sozinho, desperdiçou a chance de ampliar.
MATERAZZI É O MELHOR DO JOGO
A Fifa escolheu o zagueiro Materazzi, autor do primeiro gol da Itália, como o melhor jogador da partida. O atleta entrou em campo no lugar de Nesta e abriu caminho para a classificação italiana às oitavas-de-final.
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O troco tcheco veio três minutos depois. E Buffon brilhou de novo, em chute de Nedved de fora da área. A última chance surgiu aos 40min, em chute de Plasil. Mas a esperança de classificação ficou novamente nas mãos do goleiro italiano.
E, aos 42min, a Itália definiu a partida. Em contra-ataque rápido, Inzaghi entrou na área, driblou o goleiro e tocou para o gol vazio, marcando 2 a 0 para a seleção italiana.
"Este time tem um espírito de grupo sensacional, provavelmente o espírito mais guerreiro que eu já tive em mãos", disse Marcello Lippi após a partida.
Já Karel Brueckner, técnico da República Tcheca, apontou a expulsão de Jan Polak no fim do primeiro tempo como fator determinante para a derrota da equipe.
"Jogar com 10 homens foi muito difícil hoje. Nós perdemos um monte de jogadores antes da partida e tivemos suspensões que nos quebraram neste campeonato", lamentou Brueckner.