Um dos treze jogadores da seleção italiana que pertencem aos quatro clubes envolvidos no escândalo de manipulação de resultados que tumultuou a preparação da equipe ainda antes do início da Copa do Mundo, o volante Gennnaro Gattuso declarou após a conquista na Alemanha que a repercussão negativa e pressão causada pela fraude e seus desdobramentos foram fundamentais para o título.
"Se o escândalo não tivesse ocorrido eu acredito que não teríamos vencido a Copa do Mundo. Isto nos deu muita força", afirmou Gattuso, jogador do Milan, clube que está na lista dos clubes envolvidos na manipulação de resultados, que inclui também os tradicionais Juventus, Fiorentina e Lazio.
AFP
Gattuso sente o prazer de levantar a taça Fifa conquistada pela Itália
Arrastando-se desde o início do ano, o escândalo eclodiu em abril, pouco antes do técnico Marcello Lippi reunir seus convocados para os treinos preparatórios para a Copa do Mundo. As investigações avançaram e botaram o foco em Luciano Moggi, ex-diretor-geral da Juventus acusado de negociar ocultamente com a federação italiana a escolha de árbitros que beneficiassem sua equipe. Sem contar nas negociações ilegais de transmissão de TV e apostas.
A investigação desembocou nos depoimentos realizados na última semana no Estádio Olímpico de Roma, em que o promotor federal Stefano Palazzi pediu o rebaixamento das quatro equipes envolvidas e punições rígidas aos 26 envolvidos de participação no esquema. A definição sobre o castigo a Juve, Milan, Fiorentina e Lazio deve sair até o final desta semana.
Pressionados pelos fatos extra-campo, os jogadores da Itália já haviam manifestado uma sensação de alívio na vitória contra a Alemanha, pelas semifinais, quando Del Piero, que joga pela Juventus, afirmou ter comemorado seu gol com raiva. E este foi o espírito que Gattuso afirmou que foi decisivo para a Itália chegar ao seu tetracampeonato.
"Essa seleção mostrou muita raça. Talvez não tenha sido bonito, mas fomos difíceis de vencer. Jogamos uma partida por vez com grande humildade", declarou Gattuso.