México e Irã fizeram uma partida cheia de alternativas na estréia das duas equipes na Copa, e o jogo acabou vencido pelos mexicanos por 3 a 1. O destaque do jogo foi o atacante mexicano Omar Bravo, eleito o melhor da partida pela Fifa ao marcar dois gols e liderar a artilharia da Copa com o alemão Klose e o costarriquenho Wanchope. O terceiro gol da equipe foi marcado por Zinha, brasileiro naturalizado mexicano.
A partida, realizada em Nuremberg, abriu a disputa do grupo D na Copa, que também conta com Portugal e Angola. Com a vitória, o México espanta a má fase que o time viveu nas últimas semanas, com derrotas e críticas na imprensa local.
O México vinha de duas derrotas nos últimos amistosos antes da Copa - perdeu de 1 a 0 da França e 2 a 1 da Holanda -, o que tornou o esquema tático e a escalação da equipe um mistério. O treinador argentino Ricardo La Volpe optou por escalar Rafa Márquez, do Barcelona, na zaga, abandonando a idéia de colocá-lo no meio-campo. No ataque, o técnico escalou Omar Bravo ao lado de Borgetti, e, ciente do baixo rendimento ofensivo do time, escalou o argentino naturalizado mexicano Guillermo Franco como meia-atacante.
O meia Zinha era cotado até a véspera para ingressar na equipe titular, mas não foi relacionado no time inicial. O meia entrou no segundo tempo, no lugar de Guillermo Franco, e sua estrela brilhou, com um belo gol de cabeça. Além disso, o atleta fez a assistência para o segundo gol de Bravo.
O Irã começou melhor, indo para o ataque e se aproveitando do nervosismo inicial dos rivais, que pela primeira vez participam de um Mundial na condição de cabeças-de-chave, deixando Portugal, também do grupo D, fora dessa relação.
Os iranianos, animados com a goleada sobre a Bósnia em casa e o empate com a Croácia na casa do adversário, não se intimidaram com o status do México e, aos 11min, a equipe quase marcou. Em cabeçada forte e rasteira do centroavante Hashemian, do clube alemão Hannover, Sánchez fez bela defesa, espalmando para escanteio. A participação de Sánchez no jogo teve contornos heróicos, pois o pai do goleiro morreu na quarta-feira, e o jogador foi ao México participar do enterro, retornando para a Alemanha somente na véspera do jogo diante do Irã.
Com 12 participações anteriores em Copas, os mexicanos tiveram como melhor desempenho a ida às quartas-de-final, em 1970 e 1986, quando o torneio foi disputado no México. A seleção espera superar essa marca no Mundial da Alemanha, e muitos jogadores disseram antes do torneio que têm como objetivo chegar pela primeira vez às semifinais.
Após superar a ansiedade inicial, o México equilibrou as ações, e passou a buscar o gol por meio de uma de suas principais jogadas, os cruzamentos para a área para o arremate de cabeça de Borgetti. Aos 22min, o time levou perigo ao gol de Mirzapour, em cabeçada de Rafa Márquez após cobrança de escanteio.
O bom começo do Irã até passou a impressão de um bom desempenho do time na Copa de 2006, disputando com o México e Portugal as duas vagas para as oitavas-de-final no grupo. O Irã só tem duas participações em Copa até hoje, em 1978 e 1998. Em ambas, o time caiu na primeira fase, e a primeira vitória da seleção foi obtida somente no segundo jogo em 1998, com um 2 a 1 sobre os EUA, hoje o grande rival político do país.
Aos 28min de jogo, o México fez 1 a 0 em jogada ensaiada. Após alguns cruzamentos em escanteios e faltas bem contidos pela zaga iraniana, Pardo cobrou nova falta para a área rival. A cobrança precisa do meia, um dos jogadores com maior número de jogos pela seleção, foi desviada pelo meia Guillermo Franco e encontrou o atacante Bravo, que arrematou de direita para as redes do Irã. O atacante, titular no mexicano Chivas Guadalajara, marcou contra o São Paulo no primeiro jogo entre as equipes na Libertadores 2006.
SEMANAS DIFÍCEIS
As semanas que antecederam a estréia de México e Irã na Copa foram bastantes conturbadas.
A seleção mexicana perdeu seus dois últimos amistosos, diante da França e da Holanda. A reação da imprensa foi imediata, com pesadas críticas ao trabalho do técnico Ricardo La Volpe. Com isso, o treinador deixou de falar com os jornalistas, e a escalação do time, especialmente no ataque, se tornou um mistério.
Os mexicanos também viveram o drama da morte do pai do goleiro titular Oswaldo Sánchez, na quarta-feira. O arqueiro foi ao enterro, no México, e retornou para jogar diante dos iranianos.
No Irã, o maior problema foram as contusões de seus principais jogadores. O meia Ali Karimi e o ala Mehdi Mahdavikia só puderam ser confirmados na equipe na quinta-feira. O meia Zandi vai desfalcar o time na estréia, e o lateral-esquerdo Zare, que se contundiu no joelho direito em treino na quinta-feira, deve ser cortado.
Em meio à tempestade de problemas físicos, os atletas do Irã ainda tentaram se esquivar das perguntas da imprensa sobre a política nuclear do país e as controvérsias do Irã com Estados Unidos e Israel.
O gol do México levou os iranianos ao ataque, e o time conseguiu o empate aos 35min. O zagueiro Golmohammadi marcou após bela cobrança de escanteio de Mahdavikia pela direita. O jogador, do Hamburgo, da Alemanha, colocou muito efeito na bola, enganando o goleiro Sánchez, que hesitou em sair e ficou vendido no lance. A bola sobrou na pequena área para o atleta do Irã, que chutou alto e forte para empatar.
Depois do Irã chegar ao 1 a 1, as duas equipes optaram pela cautela e apenas tocaram a bola, esperando pelo intervalo de jogo.
Mudanças no MéxicoO treinador da seleção mexicana aproveitou o intervalo de jogo para substituir dois jogadores, buscando fortalecer seu meio-campo. O brasileiro naturalizado mexicano Zinha entrou no lugar de Guillermo Franco e Luiz Pérez substituiu Torrado. Logo aos 6min, La Volpe teve que queimar sua terceira substituição e ganhar uma grande preocupação para o Mundial. Borgetti, jogador central no esquema da equipe, sentiu a perna e teve de sair, com o atacante Fonseca assumindo a vaga no ataque do time.
Aos 12min da 2ª etapa, Rafa Márquez fez bela jogada pela direita e caiu na área, e foi derrubado na área por Golmohammadi. O juiz, no entanto, não marcou. Logo em seguida, o meia Karimi deixou o jogo, dando lugar a Madanchi. A saída do jogador e o fraco futebol no jogo demonstram que Karimi ainda está longe de sua melhor forma, que levou os iranianos a apelidarem o atleta, do Bayern de Munique, de "Maradona Asiático".
O Irã passou apenas a se defender a partir dos 20min do segundo tempo, aparentando estar satisfeito com o empate. A estratégia se demonstrou equivocada, até pelo fato de o Irã falhar com freqüência na defesa. E foi numa grande trapalhada da zaga iraniana que o México desempatou, aos 30min. Mirzapour saiu jogando errado e mandou a bola no pé de um jogador adversário. A zaga do Irã teve a chance de afastar o perigo, mas o zagueiro iraniano Rezaei furou a bola, que sobrou para Zinha. O meia rolou para Bravo no meio dos marcadores rivais, e o atacante tocou de leve no canto esquerdo inferior do arqueiro do Irã.
Aos 33min, em bela jogada de linha de fundo pela esquerda, Méndez cruzou na cabeça de Zinha, que cabeceou com categoria para o terceiro gol do México.
Após o terceiro gol da equipe, os mexicanos quase ampliaram o placar, e o Irã pouco fez para conseguir ao menos seu segundo gol.