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29/04/2006 - 16h50

Imprensa diz que ameaças, bisbilhotice e caos afastaram Felipão

Da Redação
Em São Paulo

Com a Reuters
Em Londres (Inglaterra)

EFE

Scolari é o assunto da vez, mas não foi ouvido pela imprensa britânica

Os jornais britânicos deste sábado atribuem à incompetência da Associação Inglesa de Futebol (FA), à bisbilhotice da própria imprensa local - e até a supostas ameaças de morte feitas por torcedores portugueses - a desistência de Luiz Felipe Scolari em assumir o cargo de treinador da seleção local após a Copa.

A imprensa reagiu com surpresa e fortes críticas, depois que Scolari, técnico de Portugal, afirmou com todas as letras não é nem será o treinador da seleção da Inglaterra. Também sobraram acusações aos candidatos que ainda restam para o cargo, entre elas uma de adultério envolvendo Steve McClaren, um dos favoritos na disputa.

Alguns jornais noticiaram que a decisão de Scolari de desistir de ser um candidato para suceder Sven-Goran Eriksson foi influenciada por supostas ameaças de morte feitas por torcedores portugueses enfurecidos com o fato do brasileiro conversar com a FA antes da Copa do Mundo de 2006.

"Há razões sinistras para a reviravolta do brasileiro e elas seriam as ameaças que Fabrício, seu filho de 14 anos, vem recebendo", escreveu o The Times, um dos mais prestigiosos jornais da Europa. O The Telegraph disse: "Isso (as ameaças de morte) é mais plausível para se chegar a uma explicação realista sobre a sua reviravolta na decisão".

"Sejam ou não verdadeiras as ameaças contra a família de Luiz Felipe Scolari, a FA deveria saber que estava lidando com um franco atirador, como ele foi descrito na manchete de ontem", acrescentou a página de editoriais do Telegraph. "O presidente da FA (Brian Barwick) merece ficar de castigo depois de não ter feito sua lição de casa", concluiu o jornal.

Humilhação e lambanças
A contracapa da edição de sábado do The Times, trazia a manchete "FA humilhada depois de Scolari dar as costas à Inglaterra". Já o The Daily Telegrapf foi mais simples, mas não menos direto: "Outra Bela Bagunça".

O The Guardian, outro diário de grande relevância entre os europeus, destacou o tema com o título "Caos reina sobre o cargo de técnico da Inglaterra depois de Scolari dizer obrigado, mas não".

O tablóide The Sun, mais afeito às polêmicas e à bisbilhotice, se concentrou nos outros candidatos com "SOS. Sam, O'Neill, Steve voltam à disputa." "Os rivais de Felipão Scolari para treinar a seleção inglesa receberam o recado: vocês estão de volta à disputa, rapazes", disse o jornal, se referindo a Sam Allardyce, Martin O'Neill e Steve McClaren.

Outro tablóide, The Daily Express, comentou: "Mesmo com a longa história de lambanças embaraçosas envolvendo a Federação Inglesa de Futebol, a pálida farsa da busca por um novo técnico da Inglaterra estabeleceu novos padrões de inabilidade".

Farsa devastadora
O The Guardian chamou o caso de farsa. "A humilhação é devastadora para a FA. Era entendido que o vôo para Lisboa que o presidente Brian Barwick fez significava que um acordo a princípio já existia". Para o diário, "a humilhação da FA é inevitável. Nunca antes a entidade havia sido desdenhada de tal maneira e a competência de todos os envolvidos é sujeita às mais profundas dúvidas".

O The Times acrescentou: "Tendo a oportunidade de ser o primeiro sul-americano a treinar a Inglaterra, ele (Scolari) mostrou quase com certeza que o substituto de Sven-Goran Eriksson será encontrado entre as pratas da casa, se a FA quiser encontrar algum".

Bisbilhotice pesou
As matérias que invadem a privacidade e atormentam a vida das celebridades na Grã-Bretanha, muitas vezes com calúnias e outras inverdades, também parece ter pesado na decisão de Scolari. Nem mesmo foi repercutida e assentada a recusa do treinador de Portugal, a primeira página do The Sun já estampava um escândalo conjugal envolvendo Steve McClaren, um dos mais cotados para assumir a vaga de Eriksson.

"Meu Caso Secreto", berrava a manchete do jornal deste sábado, que revelava que McLaren, técnico do Middlesbrough, manteve relacionamento com uma secretária durante o processo de separação de sua mulher.

Nas páginas internas do jornal, há explicações de McClaren sobre a questão. Em comunicado, o treinador afirma que "estava separado de minha mulher havia um ano e tive um caso de três meses. Ele terminou em agosto do ano passado e eu voltei com minha mulher em setembro".

McClarem ressalta querer "esclarecer isso. Acho que esta é uma questão particular, mas em razão da especulação em torno do cargo de técnico da Inglaterra, senti que deveria esclarecer a situação".

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