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22/05/2006 - 13h33

Copa inspira músicas, mas nenhuma supera "Pra Frente Brasil"

Marcius Azevedo e Paulo Luis Santos
Em São Paulo

PRA FRENTE BRASIL
(Miguel Gustavo)


"De repente é aquela/Corrente pra frente/Parece que todo Brasil deu a mão/Todos ligados na mesma emoção/Tudo é um só coração..."

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"90 milhões em ação, pra frente Brasil! Salve a seleção!". O Brasil pode ter aumentado sua população em cerca de 90 milhões de habitantes desde que este verso clássico foi composto, em 1970, por Miguel Gustavo, mas se tem uma música que segue "hit" lendário do país do futebol, especialmente em ano de Copa do Mundo , é essa. "Pra Frente Brasil" foi a canção que embalou os brasileiros no Mundial de 1970, quando o Brasil do regime militar conquistou o tricampeonato no México.

A letra pode não ser brilhante, e a composição não ter nenhum nuance revolucionário. Ainda assim, ela segue imbatível como a mais lembrada do cancioneiro da seleção.

Foram muitas as músicas que tentaram superar o sucesso de décadas do hit setentista, que ainda teve o mérito de consagrar uma equipe campeã e considerada por muitos a melhor da história. A tarefa, porém, é difícil. Até os próprios jogadores deram suas canjinhas na tentativa de emplacar um sucesso.

Reprodução

Moraes Moreira faz, há mais de duas décadas, músicas inspiradas no futebol

O lateral-esquerdo Júnior, ex-Flamengo, lançou um LP cantando "Povo Feliz", que ficou mais conhecida pelo refrão: "Voa, canarinho, voa". O próprio jogador fora estampado na capa do álbum, antes da Copa de 1982, que o Brasil viria a perder para a Itália. A Copa da Espanha contou ainda com uma canção composta por Moraes Moreira, cantor que sempre pega carona nos mundiais. À época, "Sangue, Swingue e Cintura", lançada em LP, fez muito sucesso.

Diferentemente de 1982, quando apenas Júnior deu o ar da graça nas prateleiras das lojas de discos, em 1986, a coisa foi mais democrática: o elenco inteiro gravou "O Mundo é Verde Amarelo", em outro ensaio frustrado de reeditar o sucesso de 1970, aproveitando que o Mundial era novamente em terras mexicanas.

O problema, no entanto, começou logo depois da gravação. Os jogadores da seleção exigiram dos dirigentes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) uma porcentagem maior na comercialização do disco. A gravadora cedeu.

A TAÇA DO MUNDO É NOSSA
(Maugeri, Müller, Sobrinho e Dagô)


"A taça do mundo é nossa/Com o brasileiro/Não há quem possa/E, eta, esquadrão de ouro/É bom no samba/É bom no couro..."

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O LP até fez sucesso, apesar do fracasso do time de Telê Santana. A seleção cantou "Explode Brasil/De mãos dadas como hermanos", e acabou dando sorte para a Argentina, que viu Maradona comer a bola e levar o Mundial.

Mas aquela Copa foi pródiga em músicas. A Rede Globo, por exemplo, lançou um álbum relembrando grandes sucessos de outros mundiais e criou também uma canção. A dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, juntamente com Luís Campos, compuseram "Mexe Coração".

A música era interpretada pela desconhecida Turma da Seleção, mas fez muito sucesso na televisão, quando o personagem Arakém, o Showman, fazia uma coreografia inesquecível: "Mexe mexe coração/vamos que vamos esta bola vai rolar..." ou "Ginga lá, ô, ginga cá, Brasil/Vamos reviver mais uma vez a emoção/Copa do Mundo o Brasil é campeão...".

Reprodução

Para a Copa de 1986, a Globo lançou LP com várias músicas boleiras

Ainda em 1986, a cantora Gal Costa tentou emplacar a música "70 Neles". Composto por Antônio Edgard Gianullo e Vicente de Paula Salvia, o tema não levou o Brasil além das quartas-de-final. A derrota para a França nos pênaltis, contudo, tirou a seleção daquela Copa e deixou a música para o museu da frustração.

Às vezes, o sucesso de uma música na Copa não está relacionado ao desempenho da seleção. Mas, além de "Pra Frente Brasil", duas outras composições ficaram bastante conhecidas por embalarem conquistas, em 1958 e 1994.

Quem não se lembra da canção: "A Taça do Mundo é Nossa", de Wagner Maugeri, Lauro Müller, Maugeri Sobrinho e Victor Dagô, que deu o tom das comemorações do primeiro título da seleção na Suécia, quando Pelé ainda era apenas um adolescente.

E o "Coração verde-e-amarelo", canção criada pela Globo, que, ao lado do "Tema da Vitória", música que homenageava o piloto Ayrton Senna, falecido naquele ano, consagraram o time do técnico Carlos Alberto Parreiras no tetra, conquistado nos Estados Unidos.

POVO FELIZ
(Memeco e Nonô)


"Voa, canarinho voa/Mostra pra esse povo que és um rei
Voa, canarinho voa/Mostra lá na Espanha o que eu já sei..."

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A emissora também foi responsável pela mudança de comportamento há quatro anos, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato.

A equipe de Luiz Felipe Scolari esqueceu os "hits" de Copa e comemorou o título ao som de "A Festa", de Ivete Sangalo, e "Deixa a vida me levar", de Zeca Pagodinho, grandes sucessos da época. A Globo ainda enfiou goela abaixo dos telespectadores o até então 'esquecido' Grupo Olodum.

Outras músicas caíram no esquecimento pelo desempenho do Brasil nas respectivas Copas. São poucos os que lembram da canção do Mundial da Alemanha, em 1974, onde o refrão fazia referência ao tetra: "É mais uma emoção/Brasil na Alemanha/Tetra-campeão". Em 1978, na Argentina, "Corrente 78" tentou levar novamente a seleção ao quarto título mundial, mas fracassou. A conquista só veio 16 anos depois, na Copa de 1994.

PODEMOS BATER QUALQUER UM

A Coréia do Norte, equipe sensação da Copa de 1966, foi "forçada" a levar uma composição inédita para o Mundial. Como o país-sede (a Inglaterra) não mantinha relações diplomáticas com a nação comunista e só reconhecia a região capitalista, os jogadores puderam entrar no país sob a condição de que o hino norte-coreano não fosse tocado. Então, foram para o Mundial com uma canção que dizia: "Podemos bater qualquer um/Até mesmo o time mais forte". Na Copa, fizeram bonito: eliminaram a Itália nas oitavas, e caíram nas quartas diante de Portugal, de Eusébio, por 5 a 3, em um dos jogos mais memoráveis da história das Copas.

Se a música e as Copas sempre andaram de mãos dadas, a Fifa não poderia deixar o casamento passar em branco. As músicas oficiais da entidade são parte integrante dos Mundiais - mesmo que de qualidade duvidosa.

Na Copa de 1994, nos Estados Unidos, uma verdadeira sinfonia hollywoodiana era tocada antes de cada partida: Gloryland, tocada por Daryl Hall com Sounds of Blackness, tem direito aos corais gospel e vocais tremidos dignos do megahit pop mais clichê.

Em 1998, o ex-menudo Ricky Martin foi eleito para embalar a Copa do Mundo com sua "La Copa de La Vida" (ale, ale, ale). Mas a Copa foi marcada, talvez até mais, pela instrumental "Soul Bossa Nova", de Quincy Jones. A canção foi tema de uma série de comerciais de TV com os jogadores do Brasil fazendo malabarismos e batendo bola em um aeroporto, na praia com outras estrelas e em outras situações.

Na mesma linha, a música "Mas Que Nada", composta por Jorge Ben Jor, ganhou nova roupagem em 2006 em versão de Sérgio Mendes com o pop/hip hop do Black Eyed Peas, um dos grupos do gênero de maior sucesso dos últimos anos. A música embala um comercial com a seleção brasileira na mesma linha dos de 1998 que já está sendo veiculado nas emissoras.

INGLATERRA: TEMAS OFICIAIS

A Inglaterra sempre tem uma música oficial da Copa, promovida pela federação do país. Nas décadas de 70 e 80, os próprios atletas interpretavam as músicas compostas especialmente para o Mundial. A partir de 1990, artistas foram chamados para fazê-lo: New Order, Spice Girls e Echo and the Bunnymen já participaram de gravações futebolísticas. Em 2006, a banda de rock Embrace ficou encarregada de gravar a música-tema.

Em 2002, a canção oficial foi "Boom", de Anastacia. Já na Alemanha, quem canta a música-tema "Time of Our Lives" é II Divo. Escrita por Jorgen Elofsson, um sueco que já escreveu sucessos para artistas pop como Britney Spears e Westlife, a composição convenceu o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que "vai se tornar uma parte memorável da fábrica de entretenimento da Copa do Mundo".

Não se pode dizer que qualquer uma dessas músicas oficiais tenham conquistado o sucesso de "Pra Frente Brasil". Desde a década de 70, o clássico, assim como a escalação do Brasil daquela Copa, se mantém na ponta da língua dos aficionados por bola e música.

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