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24/05/2006 - 09h00

Rivalidade Brasil x Argentina garantida ao menos na propaganda

Claudia Andrade
Em São Paulo
A trave se mexe para favorecer a seleção brasileira contra a argentina. Maradona veste a amarelinha e canta o hino nacional. No turbilhão de campanhas publicitárias relacionadas à Copa do Mundo, a rivalidade Brasil e Argentina tem sido usada como um diferencial. Mesmo que, nas análises dos adversários mais perigosos para o Brasil no Mundial, times europeus sejam apontados como os que devem dar mais trabalho. Nem mesmo o técnico Carlos Alberto Parreira inclui os "hermanos" na lista de favoritos ao título, mas cita República Tcheca, Alemanha, Itália, Inglaterra, Holanda, Portugal.

GAROTOS NACIONAIS
Leônidas:
Dedicatória do atacante virou propaganda involuntária que acabou sendo paga com caixa de goiabada
Garrincha:
Divulgação de alpargatas contou a história do jogador e rendeu calçados para suas sete filhas
Falcão:
Anúncio de vinhos explorou experiência na Europa e a imagem elegante e refinada do volante que virou treinador
Telê:
Brasileiríssimo, anúncio de filme fotográfico foi baseado nas cores verde e amarela da seleção
Leão:
Depois de estrelar propaganda de cuecas, ele usou o imposto de renda para vender a marca de um banco
Roberto Carlos:
Figurou em comercial cinematográfico de refrigerante que contou também com o inglês Beckham
Kaka:
Rosto lisinho e sem imperfeições do meio-campo foi bem aproveitado em campanha de lâmina de barbear
Na publicidade, contudo, nada funciona melhor que enfrentar a camisa azul e branca. Nem mesmo as mensagens lançadas pelos maiores nomes da seleção nacional ou as campanhas que apenas remetem ao verde e amarelo e à corrente positiva da torcida para o Brasil. "Aquela coisa só ufanista não encanta", afirma Eduardo Lima, da FNazca, que participou da criação do comercial da trave para uma marca de cerveja.

"Nenhuma outra seleção teria a graça da Argentina", continua. "Com Itália, Inglaterra, Alemanha, não existe essa rivalidade de vizinhos, que é muito sul-americana. Não é que o Brasil precise que a trave se desloque para vencer, mas é gozado fazer essa molecagem", completa o publicitário.

Uma empresa de telefonia celular colocou Ronaldinho usando a camisa da Itália, da Espanha e do México, países relacionados aos concorrentes da companhia. Mas depois se rendeu, e resolveu levar o melhor do mundo a restaurantes de comida argentina, francesa e alemã, locais em que seu telefone toca o tema "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor".

"São adversários mais tradicionais do Brasil", explica a gerente de marketing da companhia, Flávia da Justa. "A idéia é estimular a concorrência e a competitividade, que estão ligadas ao futebol. A rivalidade vende, claro, ainda mais neste momento de Copa", confirma.

Nenhuma campanha, no entanto, atraiu mais a atenção do que a de Maradona. Inicialmente, o objetivo era apenas falar da seleção brasileira e utilizar jogadores patrocinados pela empresa, como Ronaldo e Kaká. Mas com a idéia de colocar o ídolo Maradona na jogada, o comercial ganhou outra dimensão e a presença dos brasileiros ao lado do argentino na hora de cantar o hino ficou em segundo plano.

"A gente procurou colocar um tempero ainda maior. Isso diferencia nossa campanha, no momento em que todas as marcas querem abordar o Brasil", justifica o gerente de produto Roberto Trinas. "A rivalidade com a Argentina é um tema pertinente e muito presente neste momento. E que chama a atenção, sem dúvida", acrescenta.

UM ESTILO PARA CADA CONSUMIDOR


A seleção brasileira oferece garotos-propaganda para públicos variados.

Há o galã, o brincalhão, o moderno, o que se destaca pela força e o que superou obstáculos para voltar a brilhar.

O assédio de várias empresas inflaciona os cachês e os jogadores faturam cada vez mais com a publicidade.

Leia mais

Explorar a rivalidade com os vizinhos não é exclusividade brasileira. Se os jogadores e o próprio técnico José Pekerman não se cansam de lembrar e ressaltar o favoritismo brasileiro na Copa, até para jogar a pressão para seus principais adversários, uma propaganda de cartão de crédito veiculada na Argentina criou polêmica. Ela termina dizendo que "o melhor jogador do futebol brasileiro ser argentino, não tem preço", mostrando imagens do "corintiano" Tevez, que defenderá seu país na Copa.

Para evitar que as torcidas se sintam ofendidas e a rivalidade da propaganda gere reações negativas na vida real, os publicitários crêem que a saída é o bom humor. "Tem que ter um tom amistoso", defende Trinas. "Nós procuramos ressaltar, além da rivalidade, o respeito entre as seleções. Tanto que falamos que "os maiores craques do mundo" gostariam de vestir a camisa da seleção brasileira. O Maradona encarou como uma homenagem", acrescenta.

A trave que prejudica os argentinos também deve ser vista como uma piada, na opinião de Eduardo Lima. "Está claro que é uma brincadeira que, de forma alguma, extrapola as quatro linhas. O tom deve ser leve e engraçado para não ficar agressivo", aconselha.

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