Entre os brasileiros que vendem de tudo neste período de Copa, cada um tem seu próprio estilo e um público diferente a atingir.
Ronaldinho, o mais acionado, é irreverente, e tem apelo com as crianças. A figura do galã Kaká é ideal para produtos de moda e beleza. Roberto Carlos simboliza força e Ronaldo, superação.
Até o técnico Carlos Alberto Parreira já se arriscou diante das câmeras para vender plano de saúde e curso de inglês. Mas não gostou muito da experiência. "Sou péssimo nisso. O Zagallo é bem melhor como garoto-propaganda. Os publicitários falam para eu sorrir para a câmera, e eu não consigo", admite o treinador.
O bom-moço Kaká afirma usar o que divulga, e se preocupa em selecionar bem as marcas. "A preocupação é vincular minha imagem com bons produtos. Não adianta se associar a muita coisa"
Preocupação que parece inexistir para Ronaldinho, que se mostra à vontade ao divulgar produtos que vão de desodorante a banco, passando por bebidas, chicletes e sorvete. A superexposição não preocupa as empresas, que se contentam com a exclusividade no ramo.
"Ele é o maior ídolo de futebol do mundo, difícil de cair na paisagem. Tem uma imagem altamente positiva, de um jogador vencedor. E é exclusivo nosso na categoria Telecom", diz a gerente de marketing Flávia da Justa.
Para ela, essas vantagens independem do resultado do Brasil na Copa. O que também acontece com a fabricante de lâminas de barbear que tem Kaká como garoto-propaganda. "Sua imagem é de jovialidade, de uma pessoa moderna. Ele não vai aprontar uma. É um atleta com risco zero. É o garoto-propaganda ideal", garante a diretora de marketing Danielle Panissa.
A atual realidade de disputa acirrada das empresas para terem os jogadores brasileiros como de seus produtos e os cachês milionários decorrentes das negociações é o resultado de um movimento que começou de maneira discreta, décadas atrás. E que movimentou muitos jogadores da seleção, desde Leônidas da Silva até Falcão, passando pelos técnicos Émerson Leão e Telê Santana.
Mas, dos cachês iniciais, que eram pagos muitas vezes com os produtos anunciados, e não com dinheiro, houve uma evolução notável. Hoje, os pagamentos individuais aos jogadores da seleção superam o que a Confederação Brasileira de Futebol arrecada com seus patrocinadores.
Os principais atletas chegam a embolsar R$ 2,6 milhões por campanha. Enquanto isso, o faturamento da CBF em 2006 deve ficar em torno de R$ 60 milhões.