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26/06/2006 - 09h00

Torcedor folião dá goleada de beijos na Copa

Ana Luisa Bartholomeu
Em São Paulo
O Brasil já fez sete gols no Mundial da Alemanha, mas a contabilidade do torcedor folião na Copa é em beijos. "Quantas bocas você beijou?", pergunta um. "Mais de dez", respondeu o outro, contando vantagem. "Se você contou, é porque foi mal, moleque", corta um terceiro. O Mundial vem sendo motivo para um Carnaval fora de época, e a reportagem do UOL acompanhou como é torcer com um olho e paquerar com o outro.

EM RITMO DE AXÉ

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5.000 jovens reuniram-se no JóqueiAna Luisa Bartholomeu/UOL
Futebol, galera e axé agradaramAna Luisa Bartholomeu/UOL
Nem todos queriam saber do jogoAna Luisa Bartholomeu/UOL
Deu até para dar uns beijinhosAna Luisa Bartholomeu/UOL
Zerar no placar não era problema

Trânsito, buzinaço, som alto, euforia e uma avalanche verde-amarela denunciam que ali tem festa para o jogo do Brasil. O local: Jóquei Clube de São Paulo, reduto de famílias paulistanas tradicionais e endinheiradas.

Entre os 5.000 jovens, patricinhas sobre seus saltos, jeans de marca e cabelo chapado e micareteiras de abadá decotado e minissaia não passam despercebidas pelos playboys de gel e óculos no cabelo ou os marombados em camisetas baby look.

"É hoje que eu faço a festa", diz ainda na entrada o vendedor Carlos Augusto dos Santos ao analisar, na fila contrária, um grupo de cinco garotas que se submetiam à revista. "Olha a loira", cochicha, apontando a platinada entre várias morenas.

Mesmo com o jogo rolando, o clima "clube da paquera" continua na Vila da Copa, evento que aproveitou o estilo festivo e baladeiro do torcedor brasileiro para unir futebol, azaração e shows (Araketu, Banda Eva e Luiz Caldas deram o clima de micareta após a goleada com o Japão).

Tiago Montanha e Paulo Coelho Júnior ensaiam embaixadas e pedaladas com uma bola. "É uma boa forma de chamar a atenção das gatinhas", receita Montanha, que é gerente comercial na vida séria.

Para ele, até aquele momento, o evento estava parecendo a defesa do Brasil: "cheia de buracos". Brincando, reclamava da quantidade e qualidade das mulheres. "Para chamar minha atenção tem que ser micareteira. Tem que ter decote e calça justa, de preferência branca. A mulherada aqui está vestida demais para o meu gosto", reclamou.

Nem mesmo a área VIP, abarrotada de celebridades que não foram para a Embaixada de Caras na Alemanha e se espremem entre jornalistas de fofoca, fotógrafos e tietes, mudava a opinião de Montanha.

"Lá só tem modelo famosa, não é para o nosso bico", se conforma, referindo-se a Fernanda Lima, Mariana Kupfer, Mariana Weickert, Karina Bacchi e outras beldades. No meio delas está Belletti, lateral do Barcelona que estava cotado para ir para a Copa -outro selecionável, Roger, conseguiu melhor destino, fazendo vida de celebridade na Alemanha ao lado da namorada Adriana Galisteu.

Entre os excluídos da área VIP, Paulo prega a democracia para justificar um placar elástico naquele dia. "Vou a muitas micaretas com esta tática: não tenho preconceito. Vale loira, morena, japonesa, africana, o que for. Até para as fofinhas damos espaço", se vangloria.

NA ÁREA VIP

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Fernanda Lima marcou presençaAna Luisa Bartholomeu/UOL
Mariana Kupfer também prestigiouMarcia Lourenço/OFuxico
Beletti preferiu a festa a BarcelonaAna Luisa Bartholomeu/UOL
Plasma, mesinhas, banquetas...Ana Luisa Bartholomeu/UOL
... e arquibancadas para os vips

Os amigos Marcelo Siqueira e Sérgio Cabral escolhem a bebida no balcão enquanto explicam a utilidade do evento. "Ainda estamos reconhecendo o território, mas parece que o mercado está muito bom. Pelo menos, é melhor do que ficar em casa", avalia Marcelo.

Sérgio está mais confiante ainda no "jogo da sedução". "Vai ser 3 a 0 para mim, porque ele (apontava o amigo) não vai pegar nada", provoca Sérgio. O amigo responde à altura. "Quem entra como favorito acaba se dando mal. Eu vou só correr por fora", sentencia Marcelo.

Com a partida rolando, o foco é no telão de 120m². "Mas aproveitamos para achar um alvo e trocar uns olhares. Depois, é só correr para o abraço", revelaram.

Se a azaração até dá uma trégua com o jogo, a bebida, não. Em pleno segundo tempo, com a enxurrada de gols brasileiros, as amigas Adriana Caiado e Isabel Marques ainda estão zeradas no placar. "Mas porque queremos. Até dispensamos uns carinhas porque queríamos ver o jogo. Deixa acabar que partiremos para o ataque", conta Isabel.

As amigas, que assistiram todos os jogos na balada, dizem que o "mercado" está mais positivo a cada jogo. "Eu diria que dá para se aventurar", arrisca Adriana.

Os gols aumentam, a animação e o grau alcoólico também. Mas nem todos dão bola à partida. "Já dei uns beijinhos no primeiro tempo. Também, o Brasil estava perdendo. Tive que sair no contra-ataque", conta, aos risos Vanessa Vieira. "E até deu certo. Acabei dando sorte para o Brasil."

Ao lado das amigas Denise Caldeira e Alessandra Paiva, Vanessa carrega além de apitos, cartões amarelos e vermelhos para brecar os pretendentes.

Com modelitos de deixar os marmanjos de queixo caído, elas nem sabiam o placar do jogo quando o juiz deu o apito final. "Nossa, nem vimos que o Brasil fez o quarto gol. Também, tem coisas mais interessantes para ver por ai", fala Denise antes da saída eufórica em busca da próxima vítima.

Ao final do jogo, uma roda de marmanjos alonga braços e costas para a maratona de dança e beijos. Na próxima terça, na partida contra Gana pelas oitavas-de-final, tem mais, com trilha sonora do funkeiro DJ Malboro e promessa de tchutchucas na pista.

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