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02/07/2006 - 20h33

Duelos da semifinal opõem volúpia ofensiva à cautela

Da Redação
Em São Paulo

DESTAQUES COLETIVOS

AFP

Os alemães desarmam mais e têm o melhor ataque da Copa

Reuters

Defensiva, Itália surpreende: time mais caçado e o 2º ataque

AFP

França, algoz do Brasil, dá mais dribles e arrisca nas assistências

AFP

Pior ataque dos semifinalistas, Portugal é a mais indisciplinada

Os dois confrontos semifinais da Copa do Mundo de 2006 vão opor seleções com características e estilo de jogos absolutamente distintos, pelo menos nas cinco primeiras partidas que disputaram até agora. Donas de números que revelam um jogo mais ofensivo e ousado, Alemanha e França vão enfrentar as duas melhores defesas que sobraram na competição, Itália e Portugal, respectivamente.

Dados do Instituto Datafolha dão conta que a anfitriã da Copa e a vencedora do Mundial de 1998 possuem algumas semelhanças, independente dos padrões táticos diferentes, que opõem a dupla de ataque da Alemanha a um sistema francês com apenas Henry isolado na frente.

Enquanto isso, Itália e Portugal apresentam estatísticas que apontam para um jogo mais pragmático e violento, como se constata na campanha linear e muito criticada pela imprensa à equipe do técnico Marcello Lippi ou na economia de gols e fartura de faltas do selecionado comandado por Luiz Felipe Scolari.

Equipe que tem maior média de desarmes entre os semifinalistas -com 148 por partida-, a anfitriã Alemanha rouba mais bolas que a sua adversária no confronto de terça-feira, às 16h, em Dortmund. Mesmo jogando sempre com, no mínimo três volantes, a Itália tem números inferior neste quesito. No entanto, é justamente o capitão da Itália, Cannavaro, o maior ladrão de bolas que restou na fase semifinal, com média de 23,6 desarmes por jogo.

O alto número de desarmes da Alemanha culmina no mais alto índice de faltas cometidas pelos quatro semifinalistas: 18,2 por jogo.

Os desarmes, aliás, explicam um pouco da volúpia alemã na busca ao ataque. Com maior posse de bola que os outros três concorrentes ao título mundial, a Alemanha, a equipe fica em média 28min23s com a posse de bola, o que lhe permite atacar insistentemente seus adversários e acumular em cinco jogos 11 gols, o melhor ataque da Copa.

Para tanto, a Alemanha é também a equipe que mais cruza bolas na área -30,2 por jogo- e mais finaliza a gol -20,4. A equipe do técnico Jürgen Klinsmann conta, inclusive, com o jogador que mais arremata: Ballack, com média de 5,3 chutes, mas nenhum gol marcado.

DESTAQUES INDIVIDUAIS

AFP

Ballack ainda não marcou na Copa, mas é o maior finalizador

Reuters

Capitão italiano, Cannavaro tem a melhor média de desarmes

AFP

Meia habilidoso, Malouda é quem mais arrisca cruzamentos

AFP

Provocador, Cristiano Ronaldo é o driblador das semifinais

O maior cruzador da Copa do Mundo, no entanto, é francês. Titular do meio-campo da equipe de Raymond Domenech, o meia Malouda levantou para a área dos rivais uma média de 7,3 bolas por jogo.

O volume de jogo intenso apresentado pela França contra a seleção brasileira fica claro quando as estatísticas registram que a equipe aplica mais dribles -20,4-, distribuiu o maior número de assistências -5,8- e, consequentemente, tem mais impedimentos marcados -5,4 por jogo.

Eleito melhor jogador da partida que marcou a eliminação do Brasil, Zidane dá o maior número de passes para chances de gol -com 2,8 assistências por partida-, como aconteceu no lance em que um cruzamento do meia, que já anunciou a aposentadoria, encontrou os pés de Henry, autor do gol da vitória por 1 a 0.

Segundo melhor ataque entre os semifinalistas, a França terá de superar a barreira defensiva de Portugal, equipe que, juntamente com a Itália, sofreu apenas um gol na Copa, contra dois sofridos pelos franceses e três da Alemanha. Detalhe: a Suíça, que não levou nenhum gol na competição, caiu nas oitavas-de-final, nos pênaltis, após empate por 0 a 0 contra a Ucrânia.

Afeiçoada ao estilo de Luiz Felipe Scolari, a seleção portuguesa não deixa os números esconderem que a marcação e a preocupação defensiva são o que mais importam. Portugal é quem mais recua bolas -9,2 por jogo-, menos lança -apenas 9,6 tentativas-, mais troca passes -402 contra 350 da França, sua adversária da quarta-feira, às 16h, em Munique- e menos marcou gols entre os quatro melhores da Copa: apenas seis gols.

De quebra, Portugal ficou marcada como uma equipe violenta, em razão do tumultuado duelo das oitavas-de-final, contra a Holanda. Com as expulsões de Costinha e Deco, que foram desfalques no confronto seguinte, ante a Inglaterra, o time do brasileiro Scolari se tornou a semifinalista com mais expulsos, além de ser a mais punida com cartões amarelos -16.

Com menor número de cartões amarelos -10-, a Itália, porém, também teve dois expulsos -De Rossi, que foi punido pela Fifa por quatro jogos e poderá voltar a ser escalado numa eventual passagem para a final, e Materazzi. Em compensação, a Itália é a equipe que mais sofre faltas: 24 por jogo.

A tradicional postura defensiva da Itália, corroborada pelo menor índice de dribles por partida -média de 9,2-, não se confirma na tábua da artilharia da Copa do Mundo: a equipe já marcou nove gols, apenas dois a menos que Alemanha, a semifinalista mais ofensiva.


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