
| 19h47 - 31/03/2002 |
Schumacher obtém quarta vitória em Interlagos |
Agência Folha Em São Paulo
É raro, mas acontece. Michael Schumacher, tetracampeão mundial, acordou hoje como uma espécie de azarão para o GP Brasil de F-1. Mas, a despeito de todos os prognósticos, terminou o dia como vencedor incontestável da terceira etapa do Mundial.
Superou o favorito da torcida, Juan Pablo Montoya, na segunda curva da corrida. Ignorou um toque do colombiano, ainda na mesma volta, no final da reta Oposta. Superou o favoritismo técnico da Williams e da Michelin, fazendo um único pit stop.
E, no final, superou a pressão do próprio irmão, Ralf Schumacher, a quem venceu por ínfimos 588 milésimos, a chegada mais apertada da história do GP Brasil.
Principal, Schumacher superou qualquer dúvida sobre seu carro novo, sobre se o F2002 terá mesmo condições de levá-lo ao quinto título mundial. Após o GP Brasil ficou claro que existem poucos em seu caminho, talvez apenas um, o irmão mais novo, Ralf.
Com a vitória hoje, Michael Schumacher é o piloto que mais venceu em Interlagos na F-1.
O domingo de sol também marcou o 100º pódio da carreira de Schumacher. A verdade é que o único revés do ferrarista hoje foi não ter visto a bandeira quadriculada. Em um dia em que todos os heróis nacionais falharam, até Pelé não deu conta do recado.
Recrutado para dar a bandeirada de chegada, deixou os Schumacher passarem batido. "Quando fui cruzar a linha, levantei o braço e perguntei: 'Cadê o Pelé?'", brincou o alemão, mais tarde, na entrevista em que explicou os pontos fundamentais de sua vitória.
"Os pneus funcionaram muito bem, mais do que esperávamos", declarou sobre o material da Bridgestone que lhe permitiu um único pit stop -Ralf, com os favoritos Michelin, chegou a reclamar de seu primeiro jogo de pneus.
"O resultado da corrida mostrou que o carro é rápido e que temos condições de ser rápidos nos circuitos em que falhamos no ano passado", declarou.
E, finalmente, sobre o duelo com Ralf, fez comentários profissionais, como se não tivesse corrido contra o próprio irmão. "Controlei Ralf, tinha que mantê-lo longe de mim no S para que não pudesse me ultrapassar."
A vitória de Schumacher dilatou sua liderança no Mundial de Pilotos, tem agora 24 pontos contra 16 do irmão. Entre os construtores a escuderia italiana continua atrás da rival Williams, 30 a 24, mostrando que os pontos de Rubens Barrichello fazem falta à Ferrari.
Schumacher, único a receber o carro novo em Interlagos -com a "Nonna", o brasileiro empolgou apenas por 17 voltas-, parece saber disso.
Depois de vencer e agradecer o time por ter lhe permitido usar o F2002 em Interlagos, sua primeira pergunta para Ross Brawn foi "o que aconteceu com Rubens?". "Ele teve um problema técnico", sintetizou o diretor técnico ferrarista.
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