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   19h48 - 31/03/2002

Barrichello segue a sua sina em Interlagos

Agência Folha
Em São Paulo

O roteiro foi o mesmo dos últimos anos: Rubens Barrichello empolga Interlagos, abandona o GP Brasil, dá suas explicações e assiste ao fim da corrida pela televisão, nos boxes de sua equipe.

Desta vez, porém, foi ainda mais melancólico. Houve um clima de despedida. Provavelmente, o brasileiro nunca mais voltará ao país ao volante de uma Ferrari.

Até agora, sua terceira temporada pela escuderia italiana vem sendo desastrosa. Não terminou nenhum dos três GPs disputados e, na tabela completa do Mundial de Pilotos, que conta as posições fora da zona de pontuação, está atrás até mesmo de novatos como Alex Yoong e Takuma Sato.

Foi o nono abandono de Barrichello em dez edições de GP Brasil. A única vez em que ele completou a prova foi em 1994, quando ainda era um piloto jovem e promissor e guiava um Jordan.

Buscando quebrar essa série de maus resultados, o brasileiro mudou de estratégia neste ano. Não mudou a cor do capacete, não fez aparições em programas globais, evitou oba-oba nos últimos dias.

Não funcionou. Mas Barrichello evitou falar de azar. "Não existe história de maldição de GP Brasil. Saí de Interlagos com a cabeça erguida. Cumpri meu papel. É a terceira corrida neste ano que abandono praticamente na ponta. Uma hora vai dar para encaixar."

Largando da oitava colocação no grid, o brasileiro optou hoje por uma estratégia de dois pit stops. Assim, com o carro mais leve no início da prova, teria como ganhar velocidade, fazer ultrapassagens e galgar posições.

Deu certo. Na segunda volta, já era o quinto colocado. Na terceira, o quarto. Nesse ritmo, chegou no líder da corrida, o alemão Michael Schumacher, na 14ª volta.

Interlagos, que viu com ceticismo o início de prova de Barrichello e se empolgou ao longo das voltas, explodiu com sua ultrapassagem sobre o tetracampeão -na verdade, o piloto alemão deliberadamente abriu passagem.

Por três voltas o autódromo acreditou que Barrichello iria ao pódio. Com uma parada a mais que seus principais concorrentes, dificilmente lutaria pela vitória.

Na 17ª das 71 voltas, o sonho foi para o espaço. Em uma repetição exata do que aconteceu no seu primeiro GP Brasil pela Ferrari, em 2000, Barrichello deixou a prova com uma pane hidráulica.

"Chegou uma hora em que o acelerador não funcionava mais. Fiquei só com a quinta marcha. Tentei levar o carro para os boxes, mas ele parou e fui obrigado a ficar na grama", declarou. "Nosso acerto estava muito bom, com uma estratégia de dois pits. Virando do jeito que estava, dava pra sonhar com o pódio."

Correndo com o carro do ano passado, que ganhou dos mecânicos ferraristas o apelido de "Nonna", Barrichello deu um alfinetada em sua escuderia.

"2002 é ano de usar carro 2002. Chega de usar carro 2001", disse, já na área de boxes, jogando para longe qualquer resquício da diplomacia que foi obrigado a seguir durante a última semana.

Assim como o piloto que o conduziu, o F2001 também teve um dia melancólico. Vencedor de dez provas na F-1 -todas com Schumacher-, e campeão do último Mundial de Construtores, o modelo disputou hoje seu último GP antes de entrar para o Museu de Ferrari, em Maranello. Foi só sua sexta quebra e 39 largadas.

Diretor esportivo da Ferrari, o francês Jean Todt elogiou o desempenho de seu segundo piloto. E lamentou mais um abandono.

"Rubens estava fazendo uma corrida incrível. Saiu do oitavo lugar mas esse problema hidráulico o forçou a parar", disse o dirigente. "A equipe toda fez um trabalho estupendo neste domingo. Foi uma pena que Rubens não tenha usufruído disso como merecia."

A partir desta semana, a Ferrari vai se dedicar exclusivamente ao desenvolvimento do F2002. E, no GP de San Marino, em Imola, daqui a duas semanas, Barrichello finalmente poderá disputar sua primeira corrida com o carro que tanto reclamou para Interlagos.

A partir de terça-feira, Luca Badoer, piloto de testes da escuderia, treina com o carro em Fiorano. Schumacher assume os testes na quinta-feira e o piloto brasileiro guia na próxima semana, de quarta a sexta-feira, em Mugello.

Com o contrato vencendo em dezembro, Barrichello ganha agora nova pressão. Precisa começar a terminar corridas. Afinal, seu papel é "roubar" pontos dos adversários de Schumacher e ajudar a equipe a levar mais um Mundial de Construtores. Até agora, nesta temporada, não fez nada disso.


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