
| 19h56 - 31/03/2002 |
Montoya xinga a mãe de Michael Schumacher |
Agência Folha Em São Paulo
Juan Pablo Montoya deu um basta à diplomacia. Hoje, após mais um enrosco com Michael Schumacher, o colombiano decidiu abrir guerra contra o alemão.
"Filho da puta! Falem com a FIA. Não é possível. Alguém tem que punir esse cara", gritou para sua equipe, pelo rádio, assim que bateu na Ferrari do alemão, ainda na primeira volta da corrida.
O colombiano, que precisou fazer um pit stop de emergência para trocar pneus e o bico do carro, fez uma corrida de recuperação e ainda conseguiu chegar em quinto. Dentro das circunstâncias, um bom resultado. Longe, porém, da vitória que ele tanto almejava.
"Essa era para ter sido minha corrida. Cometi um erro, o Michael me passou, mas, quando eu fui dar o troco, ele me fechou e arrancou meu aerofólio", disse.
Questionado sobre o acidente, o alemão foi irônico. "Não senti nada, nenhum toque. Para mim, aquilo não mudou nada."
Foi o segundo choque seguido em duas corridas. Na Malásia, há duas semanas, os dois bateram na largada e, como hoje, o colombiano levou a pior -foi punido pela direção da corrida.
Os cerca de 2.000 colombianos que foram a Interlagos -e que, com roupas e bandeiras predominantemente amarelas, formavam o maior contraste ao vermelho-Ferrari que dominou o autódromo-, celebraram o quinto lugar de Montoya e preferiram atribuir o resultado às rusgas de seu ídolo com Schumacher.
Quando saiu do carro ao final da prova, Montoya teve seu nome gritado por seus compatriotas que estavam na arquibancada em frente aos boxes.
"Ele fez uma excelente corrida. Aquilo [a batida com Schumacher] foi fruto de uma rivalidade antiga", disse o engenheiro Jaime Arcila, de Cartagena.
"É o seu espírito de competir que gera isso. Ele se entrega. Ninguém tem coragem de afrontar Schumacher como ele fez. Sua recuperação foi maravilhosa", afirmou o gerente de marketing Carlos Salsedo, de Cali.
Além dos colombianos, muitos brasileiros, desiludidos com Barrichello e descrentes de Massa e Bernoldi, torceram por Montoya.
Foi o caso do brasiliense Clodoaldo Marcondes, que usava camisa e boné da Ferrari e uma bandeira da Colômbia amarrada à cintura.
"Gosto do Rubinho, mas ele não tem chance de ganhar. Então torço para o Montoya, que é o piloto do momento na F-1."
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