O ex-piloto de Fórmula 1 da McLaren Juan Pablo Montoya fez duras críticas ao chefe da escuderia inglesa, Ron Dennis, e disse que não ficou surpreso ao ouvir sobre o envolvimento do espanhol bicampeão Fernando Alonso no escândalo de espionagem da categoria, já que, segundo Montoya, Alonso estaria sendo prejudicado por Dennis, que estaria favorecendo o britânico Lewis Hamilton.
"Quando fiquei sabendo, imediatamente tive pena de Fernando, porque Lewis é o bebê de Ron (Dennis). Foi Ron quem pagou sua carreira inteira, então é claro que Ron quer que Lewis vença, e não Fernando. Ele prefere que Lewis vença, pois é como ver seu próprio filho ganhando. Fernando não é nada para ele", afirmou o colombiano, que não poupou críticas a Dennis.
"Fora do sistema, Ron é um cara ótimo", disse Montoya. "Mas é como se ele fosse duas pessoas diferentes. Existe o cara com quem eu assinei o contrato uma vez, com quem joguei golfe, e esse cara simplesmente não existe dentro da equipe. Lá, ele se torna uma pessoa completamente diferente, você nem ao menos o reconheceria."
"Ele quer controlar tudo", continuou o colombiano. "Acho que Fernando está chateado porque não está acostumado a ter alguém como Ron, que fica 'em cima' a todo instante. Também acho que Ron, por sua vez, está acostumado a ter pilotos que nunca respondem a ele. Quando eu cheguei, Ron não gostou muito também. Acho que com Fernando deve ser parecido."
Montoya também disse que Alonso se iludiu ao pensar que receberia na McLaren o mesmo tratamento que tinha na Renault. "Fernando é um cara legal, mas ele era o número 1 na Renault e estava acostumado a ganhar sempre e a ter tudo", analisou Montoya. "Então, ele foi para a McLaren, e quando fiquei sabendo que Lewis seria seu companheiro na equipe, eu pensei comigo: 'Oh meu Deus'."
O colombiano classificou de "normal" o escândalo de espionagem que culminou na perda de todos os pontos da McLaren no Mundial de Construtores, além de uma multa de US$ 100 milhões por ter em sua posse um dossiê de 780 páginas que detalhava a técnica dos carros da arqui-rival Ferrari.
"É assim que a Fórmula 1 funciona", minimizou Montoya. "As equipes são muito presas às regras. Essa é minha opinião, sempre tive a impressão de que algumas equipes podiam quebrar as regras mais do que outras."