Com 23 anos, nove meses e 26 dias, Lewis Hamilton se sagrou o campeão mais jovem da história da Fórmula 1, feito que pertencia ao seu grande inimigo das pistas, Fernando Alonso, aos 24. A conquista veio com um quinto lugar dramático no GP Brasil, obtido apenas nas últimas curvas, quando superou o alemão Timo Glock, da Toyota.
| OS CAMPEÕES MAIS JOVENS |
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| 1. Lewis Hamilton: 23 anos, 9 meses |
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| 2. Fernando Alonso: 24 anos, 1 mês |
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| 3. E. Fittipaldi: 25 anos, 8 meses |
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| 4. M. Schumacher: 25 anos, 10 meses |
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| 5. Niki Lauda: 26 anos, 6 meses |
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| 6. J. Villeneuve: 26 anos, 6 meses |
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| 7. Jim Clark: 27 anos, 6 meses |
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| 8. Kimi Räikkönen: 28 anos |
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| 9. Jochen Rindt: 28 anos, 5 meses |
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| 10. Ayrton Senna: 28 anos, 7 meses |
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A CAMINHADA PARA O TÍTULO |
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Assim, Hamilton assegura a conquista com 98 pontos no Mundial de Pilotos, um a mais que o brasileiro, e apaga a frustração do ano passado, quando deixou escapar um título certo. Ele tinha 12 pontos de vantagem sobre Fernando Alonso e 17 para Kimi Räikkönen a duas provas do término da temporada, mas fracassou na China e no Brasil, e viu Räikkönen sagrar-se campeão.
O inglês pôde celebrar o título ainda diante dos olhares do pai e do irmão, duas presenças assíduas nas provas do novo campeão mundial, e também da namorada, a cantora Nicole Scherzinger, do grupo Pussycat Dolls.
O triunfo ainda coroa uma aposta pessoal de Ron Dennis, chefão da McLaren, que investiu em Hamilton, preteriu o espanhol Fernando Alonso no ano passado e pôde enfim calar os críticos. "Em pouco tempo, ele quebrou muitos recordes. Começou na Austrália no ano passado e desde então marcou mais pontos do que todos os outros pilotos. Nenhum piloto atingiu um nível tão elevado nesta idade. Ele é um vencedor", disse o dirigente, antes do GP Brasil.
Mas a conquista teve seus custos. Tanto que o inglês, também o primeiro negro no topo da categoria, poderia ter feito uma marca ainda melhor, caso tivesse ficado com o título de 2007.
Em sua temporada de estréia ele passou de revelação a decepção na última prova, perdendo o Mundial para Kimi Räikkönen no GP do Brasil, após ter a chance de ser campeão com uma corrida de antecipação. Assim, precisou superar não só os adversários, mas as dúvidas quanto à sua consistência nas pistas este ano, além de superar o trauma de 2007 em Interlagos.
E a temporada foi ainda mais dura em 2008, na briga pela ponta da tabela. Além da Ferrari, no início com Kimi Räikkönen e depois com Felipe Massa, o campeonato teve Robert Kubica despontando e até Alonso beliscando vitórias. Hamilton mais uma vez sofreu com erros e mostrou certa afobação no fim da temporada, quando podia ter garantido uma vantagem ainda maior.
O início de campeonato foi bom para Hamilton, que venceu na abertura, na Austrália, e viu seus adversários perderem pontos preciosos. Mas a regularidade esperada - e mostrada por ele em 2007 - não apareceu. Se conquistou quatro vitórias até chegar à China, triunfando também em Mônaco, Inglaterra e Alemanha, ficou fora da zona de pontuação o mesmo número de vezes.
Dois dos casos mais emblemáticos de erros pelo nervosismo da falta de experiência foram nos GPs do Canadá e no Japão. No primeiro, um acidente grotesco em que bateu em Räikkönen dentro dos boxes. Após a entrada de um safety car, a saída dos pit stops foi impedida e, sem ver o sinal vermelho, o inglês encheu a traseira do campeão de 2007. No Japão, trocou arrojo por afobação. Em uma prova que precisava apenas administrar sua vantagem, envolveu-se em dois toques - um na largada - sofreu punição e terminou em 12º.
Mas é claro que o fã confesso de Ayrton Senna não chegou ao título só com erros. Ele também contou com a ajuda da Ferrari durante a temporada, principalmente com falhas e panes de Felipe Massa, que quebraram a regularidade do time italiano. E, obviamente, teve uma boa parcela de seu talento, comprovado desde que colocou os pés na McLaren, em 2007.
As melhores provas de Hamilton na temporada foram suas vitórias em Mônaco, contando com a sorte aliada à competência, ao quebrar um jejum de oito anos sem que um britânico vencesse o GP de Silverstone, e na Alemanha, com boas ultrapassagens e um carro muito superior ao dos adversários. Na China, teve um fim de semana perfeito e construiu uma vantagem sólida, sete pontos à frente de Massa, que foi mantida no Brasil.
O inícioNascido em janeiro de 1985, em Hertfordshire, Hamilton teve seu nome dado em homenagem ao velocista Carl Lewis - seu nome completo é Lewis Carl Davidson Hamilton. Ao invés de correr com os pés, rapidamente escolheu os veículos motorizados. Primeiro com os carros de controle remoto e depois com os karts. Aos 10 anos, tornou-se campeão nacional, primeiro título de expressão de uma carreira que subiria rapidamente. Aos 13, já fazia parte do time de desenvolvimento da McLaren.
Assim, o pupilo de Ron Dennis subiu seus degraus. Foi campeão da Fórmula Renault, Fórmula 3 e em sua primeira temporada da GP2, principal trampolim para a F-1. Com sua posição na mais tradicional categoria do automobilismo garantida, chegou com status de estrela. Novo e habilidoso, tornou-se o primeiro negro em um rico campeonato que ainda se perguntava sobre seu futuro sem o heptacampeão Michael Schumacher.
Seu início foi tão promissor quanto o esperado, mas os problemas internos da McLaren, com brigas declaradas com Fernando Alonso, atrapalharam. A pressão pesou sobre seus ombros, como no último GP do ano, quando apertou um botão errado em seu volante e deu adeus ao título, perdendo por apenas um ponto.
Mas, com sua habilidade e seu sorriso marcante, Hamilton superou as adversidades na pista e na pouca experiência para, com um atraso de um ano, chegar ao topo da Fórmula 1.