Em um ano em que as punições aplicadas pelos comissários de provas foram consideradas excessivas dentro da Fórmula 1, justamente o piloto mais sancionado foi quem garantiu o título mundial. Lewis Hamilton recebeu nada menos do que cinco penalizações ao longo deste ano, sendo duas delas bastante contestadas.
Seu principal adversário, Felipe Massa, por sua vez, foi punido somente três vezes nesta temporada, e uma delas não passou de uma multa, ainda no GP da Europa, em Valência.
O 'calvário' de Hamilton começou logo na segunda corrida do ano, na Malásia. Tanto ele quanto seu companheiro de McLaren perderam cinco posições no grid cada um por terem atrapalhado as voltas rápidas de Fernando Alonso e Nick Heidfeld ainda no treino classificatório. Na corrida, o britânico fez um belo trabalho de recuperação e terminou no quinto lugar. Para sua sorte, Massa não pontuou.
Após quatro GPs de calmaria, a turbulência voltou no Canadá, e, assim como em Sepang, Hamilton foi incontestavelmente punido, dessa vez por um erro quase primário. O inglês acertou em cheio a traseira da Ferrari de Kimi Räikkönen, que estava parado na saída do pitlane aguardando liberação para voltar à pista. Além de também levar uma batida de Nico Rosberg, que completou a lambança, Hamilton tomou uma punição de 10 postos no grid seguinte, na França. A McLaren considerou a penalidade "dura, porém justa". Massa ficou em 5º lugar.
Em Magny-Cours, não bastasse a sanção decorrente da prova anterior, o campeão ainda levou um
drive-through por usar a zebra em uma passagem sobre Sebastian Vettel. Sem grandes pretensões, Hamilton terminou em 10º lugar e viu Massa subir ao lugar mais alto do pódio.
Veio o GP da Europa, e o brasileiro da Ferrari foi punido pela primeira vez no ano por provocar um acidente com Adrian Sutil na saída dos boxes. Os comissários da prova, porém, optaram por apenas multar Massa em 10 mil euros, e ele venceu mais uma vez, com Hamilton em segundo.
| PUNIÇÕES A FELIPE MASSA |
|---|
 Felipe Massa deixa o pit de Cingapura com a mangueira de combustível presa ao carro |
| GP DA EUROPA | Multa de 10 mil euros por provocar incidente com Adrian Sutil nos boxes |
|---|
| GP DE CINGAPURA | Drive-through por sair em dos boxes com a mangueira de combustível presa ao carro |
|---|
| GP DO JAPÃO | Drive-through por tocar em Hamilton |
|---|
|
CLASSIFICAÇÃO FINAL DO MUNDIAL |
O GP seguinte talvez tenha sido o mais tumultuado do ano. Tudo corria bem em Spa-Francorchamps até que a chuva começou a cair a três voltas do final. Räikkönen, que até então liderava com sobra, viu Hamilton se aproximar e ultrapassar. O britânico devolveu a posição porque tinha usado uma chicane na manobra, mas logo em seguida passou novamente o ferrarista. Após a corrida, os comissários decidiram que Hamilton havia se aproveitado de uma vantagem indevida e penalizaram o inglês com 25 segundos, fazendo-o despencar de primeiro para o terceiro lugar. A vitória caiu no colo de Felipe Massa.
A punição no GP da Bélgica foi bastante contestada, e a McLaren decidiu recorrer à corte internacional. No entanto, a escuderia não obteve êxito, e a diferença entre Hamilton e Massa no mundial, que poderia ter chegado a oito pontos, ficou em apenas dois.
Em Cingapura, a punição veio a Massa, e por culpa da Ferrari. No erro possivelmente mais bizarro da temporada, um mecânico liberou a saída do brasileiro dos boxes, porém a mangueira de combustível ainda estava presa ao carro. Massa saiu em disparada pelo pit com o equipamento acoplado a sua Ferrari. Além de perder segundos valiosos até conseguirem tirar a mangueira, o brasileiro ainda teve de cumprir um
drive-through por sair do pit em "condição insegura". Resultado: Massa ficou no distante 13º lugar, e Hamilton chegou em terceiro.
E no antepenúltimo GP do ano, o que não faltou foi punição. Teve para todos os gostos. Hamilton pagou
drive-through por fechar Räikkönen ainda na largada (penalidade também contestada pela McLaren e pela mídia inglesa), Massa foi obrigado a passar pelos boxes por tocar em Hamilton, e Bourdais perdeu 25 segundos em seu tempo final por tocar em Massa na saída dos boxes. O brasileiro se aproveitou da punição ao francês e ficou na sétima colocação. Já o britânico, que não estava bem na corrida mesmo antes de sua punição, ficou apenas em 12º lugar.
"Algumas punições foram excessivas mesmo, mas se esta é a regra, temos de respeitar", avaliou Massa, que terminou o mundial na segunda posição, atrás de Hamilton, que superou as punições tomadas neste ano.