"É lógico que para a Honda é bem mais interessante ter o sobrenome Senna do que Di Grassi, mas ainda tenho de manter a esperança". A afirmação feita por Lucas di Grassi, nesta quinta-feira, resumiu o que pensa o piloto brasileiro na sua disputa com Bruno Senna pela vaga de titular na Honda em 2009.
Resignado, ele reconheceu que é mesmo o azarão na disputa com o sobrinho do tricampeão Ayrton Senna. Di Grassi ainda aguarda uma definição oficial da equipe, assumiu que a preferência pelo sobrenome famoso pode ser decisiva, mas evitou desmerecer o "concorrente".
"Tenho de ver o que a Honda vai fazer. Na Honda, eles estão em um período difícil, estão reformulando e agora estou esperando. Tenho de ver se farei um novo teste, se eles vão querer ver o Bruno de novo. Ele é um bom piloto e eles ficaram impressionados", contou nesta quinta, antes de participar de uma partida beneficente entre pilotos realizada no estádio do Morumbi.
Na última semana, ambos testaram para a equipe no circuito de Barcelona, e Bruno Senna teve um desempenho melhor que Di Grassi na segunda-feira, quando o sobrinho do tricampeão treinou à tarde, e o seu concorrente de manhã. Na terça-feira, Di Grassi fez 1min22s283 em sua volta mais rápida, sendo superado em 0s607 por Bruno Senna no dia seguinte.
Além de ter um tempo pior que o rival, Di Grassi admite que a ligação familiar entre Honda e Senna, já que Ayrton foi tricampeão na F-1 correndo com motores da fábrica japonesa, também poderá contribuir. Aliás, Di Grassi reconhece que o fato de ser contemporâneo de Nelsinho Piquet e Bruno Senna já o atrapalhou na carreira.
"Minha geração é complicada. Sempre briguei com dois sobrenomes muito fortes: Senna e Piquet. Ao lado do Fittipaldi, eles são a maior referência do país, enquanto eu sou o primeiro Di Grassi no automobilismo. Nunca consegui ter patrocínio fácil por causa disso, pois as empresas se interessavam mais pelos sobrenomes famosos", recordou.
Neste ano, Di Grassi e Senna concorreram na GP2, e o sobrinho do tricampeão da Fórmula 1 sagrou-se vice-campeão, com 64 pontos. Apesar de ficar um ponto atrás, Di Grassi só entrou após a sexta prova. Ele não disputou as rodadas duplas da Espanha, Turquia e Mônaco.
Ciente de sua situação, o piloto também sabe que dificilmente terá chance na Toro Rosso, já que a equipe procura uma dupla que alie bom desempenho na pista e patrocinadores para ajudar financeiramente a escuderia. Na semana passada, inclusive, o francês Sébastien Bourdais, um dos candidatos ao lugar na Toro Rosso, afirmou que o "dinheiro comprava um assento" no time.
Por isso, Di Grassi vislumbra a possibilidade de seguir como piloto de testes, função que exerceu neste ano na Renault, ou até mesmo voltar para a GP2. "Ainda preciso ver a minha situação na Fórmula 1, mas eu não descarto GP2, nem Fórmula Indy. Vamos ver", encerrou.