Depois de celebrar os três títulos pela McLaren, o brasileiro Ayrton Senna viu a Williams acabar com a sua alegria na Fórmula 1. A equipe passou a dominar totalmente a categoria, e o piloto paulistano teve de se conformar em lutar apenas por um lugar no pódio.
Em 1992, o inglês Nigel Mansell ganhou a temporada com sobras. O domínio fez Alain Prost optar pela equipe no ano seguinte e ainda barrar a chegada de Senna, que só viria em 1994, quando até falou em trabalhar de graça na escuderia. Mas a mudança seria trágica para o brasileiro.
Relembre abaixo os últimos anos de Senna na Fórmula 1:
1992 - Em 1992, no último ano com motores Honda, Senna e a McLaren tiveram um ano para se esquecer. Nigel Mansell venceu as cinco primeiras provas, passeando com uma Williams que tinha todos os apetrechos tecnológicos imagináveis. Senna não teria como bater, só com talento, um carro que praticamente se conduziria sozinho ao título.
O brasileiro ainda conseguiu arrancar três vitórias, a mais importante delas em Mônaco, encerrando a série de vitórias de Mansell. A segunda prova que ganhou no ano foi a de Hungaroring, na Hungria. Com a segunda colocação, o inglês conquistou o título - com apenas 11 GPs realizados na temporada.
Senna terminou o mundial lutando para conseguir uma vaga na Williams para o ano seguinte, mas a vaga já estava ocupada pelo rival Prost. Senna se recusou a correr com o francês, e acabou em mais um ano de McLaren. Em 1992, Mansell foi o campeão absoluto, com 108 pontos, à frente do companheiro de Williams Riccardo Patrese. Senna viria em quarto. Em terceiro ficou um jovem alemão, que fazia apenas seu segundo ano na F-1 e havia ganhado em 1992 seu primeiro GP, na Bélgica. O nome dele era Michael Schumacher.
1993 - Acaba o casamento com a McLaren. Senna consegue finalmente acertar contrato com a Williams. O brasileiro herdaria o carro que levou Prost ao tetracampeonato em 1993. Mas, antes disso, ficaria mais um ano na equipe de Ron Dennis, agora com motores Ford.
Prost fatura o campeonato na 14ª prova, com o inglês Damon Hill garantindo o título de construtores para a imbatível escuderia duas provas antes. Mas Senna se despediria da McLaren com mais cinco vitórias, duas delas inesquecíveis.
A primeira viria em Interlagos. Prost, com o carro programado para vencer, passeava com a Williams. Aí veio a chuva. Prost bateu em Christian Fittipaldi e Senna, arrojado, trocou os pneus na hora certa, perdendo menos tempo que os outros pilotos quando as condições de pista eram adversas.
Na prova seguinte, a terceira da temporada, mais uma vitória impressionante. Donington Park, na Inglaterra, era sede do GP da Europa. A chuva mais uma vez beneficiou Senna. Largando em quarto, ao lado de Schumacher, levou um "empurrão" do alemão na reta. Ayrton perdeu também a posição para Karl Wendlinger.
Começa então a volta considerada por muitos como a mais perfeita da história da F-1. Senna entra na primeira curva e toma a posição da Benetton de Schumacher por dentro. Wendlinger é superado por fora no início da primeira parte mista. Com a pista molhada, Senna já era o terceiro quando fez o
hairpin em alta velocidade para encostar no reticente Damon Hill. Duas curvas depois, Senna passava Hill e partia para cima de Prost. Antes do fim da primeira volta, Senna força mais uma vez na curva e assume a ponta. Senna venceria de novo em Mônaco e completaria sua marca de 41 vitórias ao ganhar no Japão e na Austrália, terminando o campeonato em segundo.
1994 - Na Williams, Senna esperava reencontrar o caminho do título. Depois de dois anos de muita luta para conseguir resultados que, para ele, eram insatisfatórios, 1994 seria o ano do tetra. A verdade é que o brasileiro já pensava inclusive no penta no ano seguinte, mas ainda era preciso mostrar na pista que a superioridade do conjunto Senna/Williams era melhor que a concorrência.
Foram, infelizmente, apenas três provas. Senna fez a pole nas três, mas não terminou nenhuma. A estreia, no GP do Brasil, acabou em uma rodada na curva da Junção, quando tentava de todas as formas alcançar o alemão Michael Schumacher. Em Aida, no GP do Pacífico, novo abandono de Senna, desta vez na primeira volta. Ele foi superado por Schumacher na largada, levou um toque da McLaren de Mika Hakkinen e rodou. Nicola Larini, com a Ferrari, acertou a lateral do carro de Senna, acabando com a corrida do brasileiro.
Tudo mudaria em Ímola, acreditava Senna. O ponto de virada, no entanto, virou o ponto final. Depois do acidente que hospitalizou Barrichello na sexta-feira, sábado foi um dia a ser esquecido para a F-1. O austríaco Roland Ratzenberger, estreando na equipe Simtek, morreu ao bater em um muro de concreto na curva Villeneuve a quase 300 km/h. Senna visitou o local do acidente e decidiu levar uma bandeira da Áustria no bolso, para homenagear Ratzenberger com uma possível vitória na prova. Mas tudo acabou na fatídica curva Tamburello.
* Texto publicado originalmente no décimo ano da morte de Senna