O dia 30 de julho de 2000 está marcado na carreira de Rubens Barrichello. Então segundo piloto da Ferrari, o brasileiro largou na 18ª colocação no Grande Prêmio da Alemanha, no circuito de Hockenheim, fez uma série de ultrapassagens, contou com a "ajuda" de um manifestante que invadiu a pista e interrompeu a corrida e, sob chuva, terminou com a vitória. Foi o primeiro dos nove triunfos de Rubinho na Fórmula 1.
Dois anos depois, em 23 de junho de 2002, no autódromo de Nürburgring, desta vez no Grande Prêmio da Europa, Barrichello voltou a ocupar o lugar mais alto do pódio, desbancando o companheiro de equipe Michael Schumacher, que terminou em segundo lugar. Rubinho largou em quarto, se aproveitou da disputa entre Schumacher e Juan Pablo Montoya e assumiu a ponta logo na primeira volta. A partir daí, ditou o ritmo da corrida e assegurou a segunda vitória da carreira.
Em 2009, aos 37 anos, 17 na principal categoria do automobilismo, Barrichello chega à Alemanha para a disputa da nona etapa da temporada em mais um momento decisivo da carreira. Se não tem mais a "sombra" de Schumacher na mesma equipe, desta vez o piloto brasileiro precisa de um grande resultado no GP da Alemanha, novamente em Nürburgring, neste fim de semana, para não se transformar em mero coadjuvante na briga pelo título entre o britânico Jenson Button, colega de Brawn GP e líder do Mundial, e o alemão Sebastian Vettel, da Red Bull - embalado pela vitória na última prova do campeonato, disputada em Silverstone, na Inglaterra.
Após oito etapas do Mundial de Fórmula 1, Button aparece na liderança com 64 pontos e seis vitórias conquistadas. Barrichello é o vice-líder, com 41 pontos, apenas dois de vantagem sobre Vettel (39), que venceu duas vezes no ano. O australiano Mark Webber, companheiro de Vettel na Red Bull, completa o pelotão de frente, em quarto lugar (35,5 pontos). No Mundial de Construtores, a Brawn lidera com 105 pontos, ante 74,5 da Red Bull e 34, 5 da Toyota.
"Sempre gostei muito de correr em Nürburgring, que proporciona um bom desafio aos pilotos. O traçado da pista é ótimo e permite a você pegar um bom ritmo", elogia Barrichello. "Venci em 2002 e, também por isso, guardo sempre boas lembranças." O piloto da Brawn GP torce para que a chuva que caiu em Silverstone há duas semanas não se repita no circuito alemão. "O tempo é imprevisível por causa da localização, mas esperamos temperaturas mais altas do que tivemos na Inglaterra", afirma.
Apesar da torcida de Rubinho, a meteorologia parece estar novamente favorável à Red Bull neste fim de semana. O GP da Alemanha deverá ser disputado sob baixas temperaturas, como aconteceu no GP da Inglaterra dominado pela Red Bull e no qual o rendimento do BGP001 foi prejudicado. A possibilidade de chuva é de 60% neste domingo.
Button x VettelCom as oito vitórias na temporada divididas entre o inglês da Brawn e o alemão da Red Bull, cresce a pressão sobre Barrichello para que consiga logo seu primeiro triunfo em 2009. Se ele não vier na Alemanha, a disputa pelo título mundial deverá ficar concentrada em Button e Vettel nas últimas oito corridas do ano.
Animado pela vitória na casa do adversário, em Silverstone, Sebastian Vettel se diz confiante para repetir o feito neste fim de semana, desta vez diante da torcida alemã. "É como uma partida de futebol que você joga em seu estádio", brincou o terceiro colocado do Mundial. "É claro que sempre dou o máximo, mas em casa você fica mais motivado e se sente mais à vontade. Durante a corrida, não penso no país em que estou porque fico muito concentrado. Mas, antes e depois, tudo é muito especial."
Jenson Button, por sua vez, parece estar tranquilo por conta dos 25 pontos de vantagem em relação ao piloto alemão na classificação geral. Depois de ser superado por Vettel em casa, o líder do Mundial confia na competitividade do carro mesmo em caso de chuva. "Minha última corrida mostrou que nosso carro está bem preparado. Estou muito confiante", disse o inglês em entrevista ao jornal
The Guardian.
Ferrari 'joga a toalha'Além do "tudo ou nada" para Rubens Barrichello e da disputa entre Jenson Button e Sebastian Vettel, o GP da Alemanha parece não reservar espaço para outras surpresas. Ao menos é o que pensa o finlandês Kimi Räikkönen, da Ferrari, que praticamente descartou qualquer chance de vitória da escuderia italiana em Nürburgring.
"Preciso ser realista. E, realisticamente, nosso objetivo não é vencer na Alemanha", admitiu o ferrarista. "Ainda estamos muito longe dos líderes em termos de desempenho. Até estamos melhorando gradativamente, mas ainda não dá para pensar em vencer. Hoje podemos dizer que o pódio seria um bom resultado", completou o campeão mundial de 2007.
Os dois pilotos da Ferrari ocupam posições intermediárias na classificação do Mundial. Atual vice-campeão, o brasileiro Felipe Massa é apenas o sexto colocado, com 16 pontos, enquanto Räikkönen ocupa o décimo lugar, com dez. Logo depois, em 11º, aparece o campeão do ano passado, o britânico Lewis Hamilton, da McLaren, com apenas nove pontos.
Outro brasileiro, Nelsinho Piquet, da Renault, que ainda não pontuou na temporada e aparece em penúltimo lugar no Mundial de Pilotos, acredita que pode largar entre os dez primeiros na Alemanha. "Estamos trabalhando duro desde Silverstone em algumas melhorias aerodinâmicas, e isso nos deve dar algum impulso na classificação", disse o brasileiro. "Seria ótimo largar entre os dez para tentar marcar algum pontinho."
Os trabalhos em Nürburgring começam às 5h (horário de Brasília) desta sexta-feira e o treino oficial que define o grid da nona etapa do campeonato tem início às 9h deste sábado. A largada para a primeira das 60 voltas do Grande Prêmio da Alemanha de Fórmula 1 está programada para às 9h deste domingo.
*Com agências internacionais