UOL Esporte Fórmula 1
 
21/03/2010 - 07h01

Familiares e pilotos relembram momentos marcantes da carreira de Senna

Guga Fakri
Em São Paulo

Um dos maiores ídolos do esporte brasileiro de todos os tempos, Ayrton Senna faria 50 anos neste domingo. Para relembrar alguns momentos importantes da carreira do tricampeão mundial de F-1, o UOL Esporte perguntou a algumas personalidades do automobilismo e a pessoas próximas ao piloto qual momento da carreira de Ayrton ficou mais marcado em sua memória. O resultado foi um apanhado de fatos inesquecíveis da vida de um dos atletas mais importantes da história. Confira:

PERSONALIDADES RELEMBRAM FATOS MARCANTES DA CARREIRA DE AYRTON


Quando chegou à McLaren em 1988, Senna teve como companheiro o francês Alain Prost, que já era bicampeão mundial. O brasileiro conquistou seu primeiro título mundial naquele ano.

Viviane Senna, irmã e presidente do Instituto Ayrton Senna:
“Sabia o significado daquele campeonato pra ele. Ele tinha começado pela Toleman, depois foi pra Lotus, que era melhor, mas não tinha um carro campeão. E finalmente na McLaren teve oportunidade de guiar um carro pra ganhar. Uma grande parte das pessoas jogou sobre ele uma expectativa pesadíssima: ‘agora você vai ter que mostrar se é o que dizem, vai ter que provar se é piloto mesmo’. Foi um ano muito pesado, é como se ele tivesse o peso do mundo nas costas. Era muita coisa em jogo. Não era só ganhar, mas se autorizar como piloto. Foi muito especial.”

Senna para nos boxes da McLaren durante uma prova da temporada de 1993

Bruno Senna, sobrinho de Ayrton e piloto de F-1:
“Com certeza foi o ano de 1993, quando o Ayrton teve que mostrar todo o potencial dele com um carro inferior em várias áreas e, mesmo assim, venceu corridas e grandes desafios.”

Em 1993, a McLaren era mais fraca que as Williams de Alain Prost e Damon Hill. Senna venceu cinco das 16 corridas, foi segundo duas vezes e terminou como vice-campeão, atrás de Prost.

Nuno Cobra confere o pulso de Ayrton Senna durante um treino físico.

Nuno Cobra, preparador físico de Ayrton por 10 anos:
“Acho que o que mais me marcou foi quando ele me telefonou do Japão em 88 e falava: ‘eu não cansei, Nuno, não cansei!’. Ele treinava pra caramba, tudo certinho, tinha um pulmão incrível, era uma máquina de respirar. Mas quando deu o problema na largada e ele caiu lá pra trás, não tinha certeza se aguentaria pilotar o tempo todo no limite. Foi um negócio maluco, ele não afrouxou desde o início. Eu falava: ‘Ayrton, você é campeão!’ Ele falava: ‘isso eu vou ver mais tarde. Eu não cansei!’ Sonho com ele até hoje. Acordo e fico lá na cama por 30, 40 minutos, e é tão real que as vezes até duvido se era sonho.”

Em 1988 no Japão, Senna largou da pole, mas teve problemas com sua McLaren na largada e caiu para 14º. Fez uma impressionante recuperação e, na 28ª volta, ultrapassou Alain Prost para vencer e garantir seu primeiro título mundial.

Ayrton Senna comemora sua primeira vitória em Interlagos, no GP do Brasil de 1991

Cacá Bueno, tricampeão brasileiro de Stock Car:
“Para mim, o momento mais marcante da carreira do Ayrton foi a primeira vitória dele em Interlagos, em 1991. Aquela famosa, em que ele terminou com apenas duas marchas nas últimas voltas. Além de a corrida em si ter sido espetacular, para mim também foi bastante especial porque eu estava no autódromo, acompanhando tudo de perto. Estive com ele momentos antes da corrida, e fui embora da pista junto com ele e com meu pai naquele dia. Nós havíamos acompanhado durante anos a luta do Ayrton para vencer no Brasil, e naquele dia finalmente ele pôde extravasar toda aquela angústia de anos tentando vencer sem sucesso diante da torcida brasileira.”

Senna fez as últimas sete voltas daquela corrida sob chuva com o câmbio travado em 6ª marcha. Ao cruzar a linha de chegada, eufórico, gritava pelo rádio da McLaren: “Aaaahhhh! P... que pariu!”. No pódio, exausto, viveu um dos momentos mais emocionantes da história da F-1, quando, com dores nos braços e nos ombros, mal conseguia levantar a taça e a garrafa de champagne para comemorar a vitória.

Ayrton Senna conquistou 65 poles em 161 corridas disputadas em sua carreira.

Felipe Massa, piloto de Fórmula 1:
"A principal recordação que tenho do Ayrton é o desempenho dele nos treinos de classificação. Ele era fora do comum, um cara obcecado pela perfeição e que não hesitava em voltar para a pista para melhorar seu tempo em centésimos mesmo sabendo que a pole já estava garantida. Ninguém era páreo para ele nessas condições."

Em 1993, quando seu carro era bem pior que os dos rivais, Senna conquistou uma única pole, na Austrália, de maneira curiosa. A McLaren percebeu que seu carro ficaria sem combustível, e Ron Dennis o chamou para os boxes. Mas o rádio travou, e Senna não ouviu as instruções do chefe. Inesperadamente e apesar do desespero da equipe, que acenava do muro tentando avisá-lo do problema, o piloto conseguiu continuar e cravou a melhor volta do dia.

Como de costume, Senna carrega uma bandeira brasileira após vencer uma prova em 1993

Lucas di Grassi, piloto de Fórmula 1:
“O que me marcou era sua determinação e paixão pelo esporte. Tinha só nove anos quando ele morreu, então não lembro muito bem. Mas uma corrida que me vem à cabeça foi aquela de Donington, com chuva, quando ele largou em quinto e terminou a primeira volta na liderança.”

No GP da Europa de 1993, em Donington Park, sob chuva, Senna saiu em quarto, caiu para quinto na largada, mas ultrapassou Michael Schumacher, Karl Wendlinger, Damon Hill e Alain Prost antes da metade daquela que é considerada por muitos especialistas a melhor primeira volta de um piloto na história do automobilismo.

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