O primeiro semestre perfeito, com conquistas do Campeonato Paulista - de forma invicta - e da Copa do Brasil, reforçou a aprovação ao trabalho de Mano Menezes no Corinthians. Antes mesmo da decisão contra o Internacional, na última quarta-feira, o presidente Andrés Sanches já falava sobre a quase certa permanência do treinador, que tem contrato até 31 de dezembro com o clube, para a próxima temporada.
Nesta sexta-feira, Mano concedeu sua primeira entrevista coletiva após o título conquistado em Porto Alegre. E falou em tom de otimismo sobre a continuidade de sua gestão no time corintiano. As conversas sobre a renovação do vínculo por mais uma temporada devem se intensificar nas próximas semanas. E a chance de um final feliz para ambos os lados é grande.
"[A renovação] Está mais tranquila, agora acho que podemos conduzir com menos pressa. Até brinquei com o presidente que aqueles 5% que ele disse que faltavam se valorizaram um pouquinho mais", disse o treinador, bastante bem-humorado.
A situação é bem diferente da que ocorreu no ano passado. Ao longo do Brasileiro da Série B, Mano era intensamente perguntado pelos repórteres sobre o andamento das negociações para que ele ficasse no Parque São Jorge. E respondia sempre que o assunto dependia da evolução da campanha da equipe e da satisfação com os resultados. Não deu outra: a assinatura do contrato só foi definida em dezembro.
Com a vaga na Libertadores assegurada, a intenção de Andres é montar uma equipe de peso, com chance efetiva de conquistar o título mais sonhado pela torcida corintiana, justamente no ano do centenário do clube. E com Mano Menezes no comando do projeto.
Mesmo sem ter sua permanência acertada, Mano não hesitou em comentar o futuro do time nesta sexta. Falou em aproveitar os seis meses restantes do ano para prepará-lo para disputar o torneio sul-americano e mostrou-se ciente da responsabilidade que terá em 2010. "Para o torcedor do Corinthians, participar não importa mais. Tem que conquistar."
O gaúcho é o técnico mais vitorioso do Corinthians no século, com três conquistas. Também já é o que há mais tempo ficou no cargo: um ano e sete meses até agora. Seu trabalho começou em dezembro de 2007, três dias após o rebaixamento para o Campeonato Brasileiro. E Mano diz que já acreditava em fazer sucesso no clube, mesmo chegando em terra arrasada.
"Técnico procura um lugar onde a possibilidade de conquistas é maior. Lógico que o trabalho tem que ser organizado para isso, mas o Corinthians, naquele momento, era o clube mais propício para que isso fosse acontecer. Tinha chegado no seu momento de maior dificuldade, e a recuperação, pela grandeza do clube, era o mais provável. Nós fizemos o que tínhamos de fazer", lembrou o técnico.
Dos cinco campeonatos disputados pelo Corinthians, Mano venceu três, foi vice-campeão de outro e conseguiu mais um quinto lugar. Sua trajetória já provoca comparações com os técnicos considerados "tops" do país, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho. O gaúcho, porém, jura que não se importa com esse tipo de elogio.
"O que eu busco é fazer o melhor todo dia para que esteja como profissional melhor do que estava ontem. Quando leio e ouço que a importância do técnico é maior, eu não acredito, assim como não levo em consideração certas críticas. Procuro sempre o equilíbrio nesse sentido", afirmou.