UOL Esporte Futebol
 
25/09/2009 - 07h02

Kléber diz que avisou que vaias o fariam querer deixar o Cruzeiro

Do UOL Esporte
Em Belo Horizonte
O atacante Kléber, que cogita a possibilidade de não continuar no Cruzeiro, por causa da perseguição por parte da torcida do clube, revelou que havia alertado os torcedores, que o procuraram para conversar na véspera do jogo com o Palmeiras, que se fosse vaiado, teria vontade de deixar o clube.

Washington Alves/Vipcomm
Washington Alves/Vipcomm
Kléber diz que é "homem de palavra" e que avisou a torcedores que não queria vaias.
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"Deixei muito claro na conversa que tive com os torcedores que se me vaiassem a minha vontade era de não permanecer no Cruzeiro e eu sou homem de palavra", afirmou o Gladiador, em entrevista veiculada pela TV Alterosa. Essa conversa entre Kléber e integrantes da Máfia Azul, aconteceu na Toca da Raposa II, na última terça-feira.

"Hoje já não tenho mais vontade de permanecer no Cruzeiro, hoje já não tenho a vontade que eu tinha antes", salientou Kléber, que, no entanto, assegurou que não fará corpo mole e que continuará se empenhando nos jogos, embora sem fazer sacrifícios, pelo Cruzeiro, como jogar com dor.

"Vou entrar em campo e vou me dedicar ao máximo. Vou tentar vencer o jogo porque sou um cara profissional, sou pago pelo Cruzeiro, vou tentar me dedicar ao máximo. Acho que o Cruzeiro tem de entender, o Zezé (presidente do clube, Zezé Perrella) quer de mim isso, que eu entre em campo, jogue e faça o melhor pelo Cruzeiro", ressaltou.

Kléber admitiu que não esperava ser vaiado, apesar do episódio de sua participação em festa da Mancha Verde, sábado passado, quando chegou a "brincar" de bola na quadra da maior torcida organizada do Palmeiras. Por isso, ele foi formalmente advertido pela diretoria do Cruzeiro.

"Eu fiquei tão surpreso como vocês (jornalistas), até porque a conversa que tive com os torcedores é que não teria vaias. Infelizmente, houve vaias. Não esperava acontecer o que aconteceu. Agora é pensar na minha vida, no futuro, em mim, deixar algumas coisas de lado", observou.

Kléber admite que foi um pouco ingênuo nesse episódio da festa da Mancha Verde e afirma que desconhecia a inimizade entre a torcida palmeirense e a Máfia Azul. "Rivalidade para mim é Corinthians e Palmeiras, Atlético e Cruzeiro. Não tinha noção da rivalidade entre Mancha e Máfia", disse.

"No dia em que conversei com o pessoal da torcida (Máfia Azul), eles me disseram que se eu tivesse ido à quadra da torcida do São Paulo não teria problema. Dá para entender então que os caras não estão preocupados com o Cruzeiro, é guerra de torcida", frisou.

Kléber considera essa situação um problema para ele e para sua família, especialmente pelo fato de morar em Belo Horizonte. "Não tenho medo nenhum, mas não quero sair à rua e ser hostilizado, ser xingado, não só eu, mas meus pais quando vêm para cá", refletiu o jogador.

Ele comenta que a situação poderia ser diferente se fosse mais "hipócrita e falso". "Talvez não estivesse pagando por isso, a gente paga o preço por ser autêntico, de personalidade, que fala o que pensa e o que sente, então, a gente tem que pagar o preço", observou.

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