A péssima campanha do Internacional no segundo turno do Campeonato Brasileiro, a segunda pior entre os 20 participantes, fez a torcida eleger alguns vilões preferenciais para direcionar sua revolta. Um deles é o goleiro Lauro, que no domingo teve de encarar vaias e xingamentos no Beira-Rio, após a derrota em para o Botafogo por 1 a 0, gol que sofreu de falta logo no primeiro minuto, em chute de Juninho. Lauro se defende e diz que ninguém pode ser considerado único culpado, mas nenhuma explicação satisfaz os colorados.
Depois daquele gol no domingo, o goleiro chegou a fazer pelo menos duas boas defesas, mas de nada adiantou. Um torcedor avançou no microfone da
Rádio Gaúcha, e perguntou, aos berros: "Como é que a gente vai ganhar, se todo bola que vai no nosso gol entra?" Lauro é paciente na sua reação: "Quando o time ganha, ganha todo mundo, quando perde, também é todo mundo".
O nº 1 do Inter não corre nenhum risco de perder sua posição no time. Ele tem a confiança do treinador, dos companheiros, e o diretor de futebol do clube, Giovanni Luigi, ainda disse,m após a derrota diante do Botafogo, que "o Lauro foi o nosso melhor jogador". A transmissão de apoio ajuda o goleiro, que completa sua segunda temporada como dono absoluto da posição. "Estou com a cabeça tranquila, o futebol é assim. Sei que quando o time não faz gols, a torcida cobra do atacante e quando o time sofre o gol, sobra para o goleiro".
Lauro, conformado, até dá razão aos torcedores, mas destaca que os protestos só são aceitos ali, no Beira-Rio, e não podem extrapolar os limites do estádio. "O torcedor paga ingresso, paga mensalidades o ano todo, e tem o direito de protestar quando o time não vai bem, mas esse protesto tem que ter limites, não pode o cara querer xingar e pressionar quando a gente está, por exemplo, num posto de gasolina", concluiu.