Jorge Henrique chegou sem estardalhaço ao Corinthians e prometendo se dedicar "como um verdadeiro louco para conquistar um espaço no coração do torcedor". E cumpriu. Sua dedicação em campo o transformou em titular absoluto de Mano Menezes e com prestígio diante da torcida. O atacante fez gols importantes, mas se destaca principalmente pela entrega. E também por apanhar muito.
Segundo o
Datafolha, Jorge Henrique é o terceiro jogador mais caçado em campo neste Brasileiro. Ele sofre em média quatro faltas por partida. Só não "apanha" mais que Kléber, do Cruzeiro, e Muriqui, do Avaí, com 5,7 e 4,3 faltas recebidas, respectivamente.
"Quanto maior a posse de bola do nosso time, mais eu apanho. Em quase todos os dias pós-jogos preciso fazer tratamento. As duas canelas sofrem da mesma maneira, são os lugares mais atingidos pelos adversários", comentou Jorge Henrique ao
UOL Esporte.
No empate por 2 a 2 com o Palmeiras, no último domingo, ele sofreu o pênalti convertido por Ronaldo e que causou a expulsão de Marcos. Ainda foi o que mais sofreu faltas (seis), como de costume. Mas também mostrou seu lado multiuso: fez sete desarmes (superior a Boquita, que atuou como volante) e foi o segundo jogador mais acionado (35 bolas) do time.
"O Jorge talvez tenha sido nosso melhor jogador no clássico. Ele sofreu muito, apanhou muito, mas é sua característica. É um jogador com muito brio, faz a função tática que é pedida e ainda acrescenta em termos de criação", elogiou Mano Menezes, que pediu sua contratação no fim do ano passado após enfrentá-lo nos duelos diante do Botafogo.
Jorge Henrique ainda protagonizou lance polêmico contra o Palmeiras. No primeiro tempo, recebeu falta dura de Danilo. O zagueiro foi punido com o cartão amarelo, critério que irritou Mano. "É só ver a altura em que a perna dele foi atingida. Era para expulsão."
Para Diego Souza, do Palmeiras, Danilo só não foi expulso porque Jorge Henrique tem a fama de "cai-cai". "O Jorge cai muito porque na maioria das vezes ele não consegue ficar de pé quando sofre a falta. A pegada sobre ele está sendo forte, pois participa muito do jogo e se movimenta demais", defendeu Mano.
Mas a entrega do atacante em campo tem sido recompensada. Já no começo da temporada ele raramente ficou no banco de reservas. Hoje, é titular absoluto. Nos títulos do Paulista e da Copa do Brasil, foi fundamental para o esquema com três atacantes funcionar. De quebra, ainda anotou gols nas duas finais contra o Inter pelo torneio nacional.
Agora, com a chegada de Defederico, Mano decidiu sacar um dos atacantes. Sobrou para Dentinho. "Vou optar de acordo com o rendimento de cada um. E como o Jorge Henrique talvez tenha sido nosso melhor jogador em campo [no domingo], o Dentinho vai esperar mais um pouco", avisou o treinador, que já escolhera o camisa 23 como titular na rodada anterior, no triunfo por 1 a 0 sobre o Vitória.
Como atua pelas laterais do campo, Jorge Henrique também tem ajudado a compensar a saída de André Santos. O atacante já foi improvisado como lateral-esquerdo e faz a função de ala quando um jogador mais defensivo é utilizado no setor. Com tudo isso, Dentinho precisará suar para ganhar a vaga do "Romarinho", apelido dado a Jorge Henrique por lembrar fisicamente o atacante do tetra.