O Corinthians está disposto a qualquer sacrifício para ter Riquelme. Até mesmo tê-lo apenas 'no campo', e não como mais um ídolo gerador de receita via ações de marketing.
Para poder bancar a chegada do meia argentino para ser o maestro corintiano e conduzir o clube ao título da Libertadores no ano do centenário, a ideia é 'vender' o potencial comercial da imagem do meia.
Uma das formas boladas para compensar o alto custo do negócio, que parte da casa dos US$ 5 milhões, é transformar Riquelme em uma espécie de garoto-propaganda exclusivo do Grupo Sonda, que, além do braço esportivo que mantém jogadores em grandes clubes (nos moldes da Traffic), também é formado por uma rede de supermercados.
Nesse formato de negócio, o parceiro corintiano bancaria não apenas o pagamento ao Boca Juniors pela liberação como também parte significativa dos ganhos do atleta, na forma de direitos de imagem.
Assim, para o Corinthians, sobra apenas a parte do salário em carteira, valor que deixaria o custo da manutenção de Riquelme no Parque São Jorge bem mais viável, já que para o clube alvinegro o gasto não seria fora dos padrões dos salários mais altos do atual elenco.
O incomum plano para conseguir retorno do investimento tem uma justificativa no perfil e na trajetória da carreira do próprio jogador.
Apesar de ser reconhecidamente talentoso com a bola nos pés e de ter vencido títulos importantes - sobretudo as Libertadores que amealhou com o Boca -, Riquelme não é mais um jogador com mercado aberto no futebol da Europa.
Primeiro, pela idade. O habilidoso meia armador completou 31 anos em junho.
E, em segundo lugar, pelo histórico de problemas de adaptação que o argentino teve em suas idas e vindas de seu país para a Espanha, apesar do idioma amigável e do sucesso que teve defendendo o Villarreal, depois de naufragar como atleta do Barcelona.
A contratação de Riquelme é prioridade do Corinthians. Por isso a condução do negócio por parte do clube se transferiu do departamento de futebol para o de marketing, responsável por bolar estratégias que viabilizaram as chegadas de Defederico, no meio do ano e, principalmente, de Ronaldo.
Luis Paulo Rosenberg, diretor de marketing do clube e mentor dessas duas transações corintianas bem-sucedidas, é o encarregado de falar pelo Corinthians. Nos próximos dias, o dirigente deve ir à Argentina para tentar encaminhar o negócio, considerado complicado por seu colega de diretoria Mario Gobbi, chefe do departamento de futebol.