Muricy Ramalho não usa números ou retrospectos para justificar tamanha predileção por jogadas de bola parada, estratégia que rendeu três títulos nacionais com o São Paulo. O treinador é mais direto. No futebol atual, quem não usa esse tipo de jogada está "perdendo tempo", alega o treinador. Contra o Fluminense, neste domingo, às 16 h, o Palmeiras espera seguir à risca o "padrão Muricy" e recuperar a liderança perdida para o São Paulo.
No empate diante do Corinthians, o time alviverde ficou duas vezes em desvantagem no marcador, mas conseguiu empatar graças a dois gols de cabeça em cobranças de falta.
Quatro dos últimos oito gols do time no Nacional nasceram em lances de bola parada.
O Campeonato Brasileiro tem mostrado a importância desse tipo de jogada. Dos 935 gols marcados até a rodada passada, 267 surgiram em jogadas de bola parada (falta, escanteio ou pênalti): 28,6% dos gols, conforme levantamento do
Datafolha. Resumindo: de cada 10 gols, quase três são de bola parada.
"A obrigação de qualquer técnico é treinar isso. Se no futebol o número de falta aumentou, o número de bola parada aumentou. E se o técnico não treinar isso não vai ganhar nada", avisa Muricy.
O percentual de gols em jogadas de bola parada aumentou no Palmeiras depois que Muricy assumiu o comando da equipe - em 29 de julho, vitória sobre o Fluminense, 1 a 0, no Parque Antarctica.
A média de gols do Palmeiras ocorridos graças a faltas, pênaltis ou aproveitando cobranças de escanteios pulou para 34,6%. Com Luxemburgo e Jorginho, a média era de 27%.
Para o duelo diante do Fluminense, Muricy não terá seu cobrador preferido: Cleiton Xavier, que se recupera de lesão. No São Paulo tricampeão brasileiro, o treinador tinha várias opções: Rogério Ceni, Hernanes e Jorge Wagner, hoje concorrentes ao título.
"Todos os técnicos treinam, mas é claro que você precisa de um cobrador ou adaptar alguém. Uma coisa que não pode suportar é na hora do escanteio ter três jogadores para bater. Isso não é time. Na minha cabeça, se existe bola parada no futebol o cara tem que usar", reforça Muricy.