Paulo César Tinga questiona o "amor ao clube" e diz que críticas a R10 são bobagem
Tinga e Ronaldinho são contemporâneos de Grêmio. Clube para o qual, nenhum dos dois voltou. O volante hoje defende o arquirrival Internacional. Já o meia virou 'inimigo número 1' após negociação frustrada no início do ano. Amigo pessoal de R10, Tinga defende o armador das críticas gremistas. Não bastasse isso, em tom de brincadeira, revela o desejo de ter o colega no Inter.
Tinga já entregou camisa do Inter a Ronaldinho e o levou ao vestiário do Beira-Rio no duelo com o Inter
Paulo César Tinga atendeu a reportagem do UOL Esporte após o treinamento do Internacional nesta quarta-feira. O jogador trabalhou entre os titulares e deve substituir D'Alessandro na partida contra o Atlético-GO, domingo, no Serra Dourada. Estará, portanto, bem longe do amigo Ronaldinho, que virá a Porto Alegre enfrentar o Grêmio pela primeira vez.
Ambos estrearam quase juntos no time profissional do Grêmio. Primeiro a atuar no time de cima, Tinga recebeu chances já no primeiro semestre de 1997. Ronaldinho, por sua vez, veio a debutar somente em 1998. Mas a parceria entre eles vinha das categorias de base do time tricolor. "A gente jogou um período grande juntos. Ele não mudou nada. O que ele faz hoje, fazia antes", disse Tinga.
Ambos não demoraram a sair do clube do Olímpico. Pela "porta da frente", o atual jogador do Inter primeiro foi emprestado para o futebol japonês. Voltou, esteve no Botafogo, no Grêmio novamente, e posteriormente no Sporting, de Portugal, até parar no Inter. Campeão da Libertadores em 2006, ele foi negociado com o Borussia Dortmund, da Alemanha, e retornou em 2010.
Já Ronaldinho tem histórico de desavenças com a agremiação que o formou desde os primeiros anos. Em 2001, quando deixou o Grêmio, ele dizia publicamente querer renovar seu contrato, mas havia assinado um pré-acordo com o PSG e deixou o clube sem gerar praticamente lucro algum. Depois de se tornar melhor do mundo, ganhar Copa, brilhar na Europa, R10 resolveu voltar ao país, abriu negociação com o Grêmio, mas foi para o Flamengo. Se sentindo "traída" pela segunda vez, a torcida gremista passou a o tratar como inimigo.
"Isso é uma bobeira muito grande. Estamos tratando de futebol, tem muito vai e vem. Várias pessoas que estão lá hoje saíram antes e voltaram. Com o jogador também é assim. Infelizmente, para a torcida do Grêmio, ele não voltou. Mas quando esteve lá, fez um belo trabalho. Quando falam em Ronaldinho, todos mencionam o nome do Grêmio. Ele fez a parte dele, merece todo o respeito. O torcedor tem manias. Eu, como amigo dele e jogador, escuto muitas coisas: como se ele tivesse roubado alguém, sacaneado alguém. Ele teve uma oportunidade e aproveitou", comentou Tinga.

O torcedor tem manias. Eu, como amigo dele e jogador, escuto muitas coisas: como se ele tivesse roubado alguém, sacaneado alguém. Ele teve uma oportunidade e aproveitou
Protestos de todas as formas são esperados para domingo, no duelo entre Grêmio e Flamengo, às 16h (horário de Brasília), no Olímpico, pela 32ª rodada do Brasileirão. A manifestação principal consiste em exibir o maior número possível de faixas com a palavra "Pilantra". Mais de mil já foram vendidas. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, Ronaldinho ignora a pressão que o espera, diz que sua torcida agora é a do Flamengo e joga futevôlei sem sequer pensar no reencontro.
"Esse negócio de amor pelo clube acho exagerado. Conheci muita gente que amava o clube e foi mandado embora. Só se vê por um lado, daí. O jogador fica no clube ate o momento que acha interessante. O pessoal exagera nisso. Muitos declaram amor, mas não pagam para jogar. Se ele é gremista, ou qualquer outra coisa, não vai deixar de ser. Mas as oportunidades da vida tem que se aproveitar. Eu sou colorado, sempre sonhei jogar aqui, mas quis fazer belos contratos. O Ronaldo, tenho certeza, também pensa isso", referiu o volante.
Será a segunda vez de Ronaldinho em Porto Alegre em 2011. Neste ano ele já enfrentou o Internacional. A exemplo do que ocorreu na outra oportunidade, um forte esquema de segurança está sendo montado para evitar transtornos. No jogo do Beira-Rio, após a partida, Paulo César Tinga levou seu amigo ao vestiário do Inter, sem intenção alguma, mas sonhando em o persuadir a passar para o lado vermelho da capital gaúcha.
"O que aconteceu é que ele veio, eu peguei o Ronaldo e trouxe no vestiário. Para trocar camisas, o pessoal queria trocar camisas com ele. Não foi falado isso, mas surgiram conversas. Mas qualquer clube gostaria de contar com ele. Mas não foi mencionado isso", revelou. "Nem chegamos a brincar com isso. Mas para o Inter, falo por mim, gostaria muito que ele viesse para cá", finalizou.
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