Cobrança forte ao grupo rendeu apoio da torcida e inviabilizou chance de demissão
Em uma só jogada, Fernandão avançou duas casas. Ao detonar o elenco, depois do empate com o Sport, o técnico novato ofuscou os péssimos números do Internacional no returno do Brasileirão. Obteve, de certa forma, mais gás no cargo ao também deflagrar uma crise interna sem precedentes no Beira-Rio. A entrevista bombástica é uma tentativa, provavelmente sua última, de sacudir o elenco.
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| 15 jogos - 5 vitórias, 6 empates, 4 derrotas: 46% aprov |
| Última vitória: 02/09 - Inter 4 x 1 Flamengo (21ª rodada) |
| No returno: 6 jogos - 1 vitória, 3 empates, 2 derrotas |
D’Alessandro, Forlán e Leandro Damião foram os principais alvos da cobrança forte após o 2 a 2 com os pernambucanos. E pelos dois lados do desabafo, da sacudida e da redução do desempenho fraco, o ídolo garantiu apoio popular e praticamente inviabilizou sua demissão.
Tacitamente, Fernandão tirou o peso de só ter uma vitória em seis jogos do returno. Citando uma zona de conforto entre os atletas, chamando o primeiro tempo do jogo de domingo de vergonhoso e se colocando no limite. Assim, ele transferiu o debate e ganhou a torcida.
Nas redes sociais, o ex-atacante foi pintado como porta-voz do descontentamento. E por isso o viés de fôlego no cargo se revela. A alta cúpula do Internacional, mesmo se não concordar com a atitude, ficaria contra a torcida ao demitir Fernandão.
“Foi vergonhoso o primeiro tempo, queria estar em qualquer lugar da Terra. Menos ali. Faltam 13 jogos para terminar. Independentemente de ser eu ou outro [treinador], chegou a hora de escolher a dedo quem quer seguir”, disparou Fernandão.
O detalhe na implosão da calmaria do Inter está no próprio detonador. Até junho como diretor-técnico, Fernandão participou da montagem do elenco. Indicou jogadores e também se envolveu em negociações de saída. Foi um dos que bancou a presença de cinco estrangeiros no grupo mesmo com a restrição de uso de dois deles.
Agora, encravado no meio da tabela do Brasileirão e sem vencer há quatro rodadas, ele dá um puxão de orelhas pelos microfones e até se coloca contra os atletas. Em uma manobra arriscada para tentar obter indignação, para alterar a postura de alguns deles.
“Estou falando para os jogadores ouvirem mesmo. A atitude do primeiro tempo foi vergonhosa. Ou eles aceitam que foi vergonhoso ou a gente larga. Fui o primeiro a dizer que a culpa é minha. Tenho que saber motivar. Mas eu não mudei nada taticamente no time e o segundo tempo foi diferente”, afirmou.
Apesar da revolta interna, o Colorado manteve sua programação e deu folga geral para os jogadores nesta segunda-feira. No próximo domingo o time volta a campo no Beira-Rio. Contra o Bahia, às 18h30min, no jogo que vai revelar se a jogada de Fernandão surtiu efeito.
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