Mas, o que pesou mais no título do time de Recife na Copa do Brasil?
Desde que chegou ao Sport, em 2006, o zagueiro Durval conquistou os torcedores com atuações sólidas, uma liderança incontestável e alguns gols importantes. Um deles, talvez o mais significativo de todos, foi marcado durante esta Copa do Brasil, na suada vitória por 3 a 1 sobre o Internacional, na Ilha do Retiro. A bomba na cobrança de falta, que entrou no ângulo direito de Clemer, levou o Sport, que atuava com um homem a menos, às semifinais da competição.
"Até hoje eu me lembro daquele gol, daquele lance. Não venho cobrando faltas. Naquele momento, o Luisinho já não estava em campo e Carlinhos Bala e Kássio brigavam para ver quem ia bater. Eu pedi para bater e felizmente consegui fazer o gol e a gente conseguiu ganhar o jogo", comentou o homem que levantou a taça mais importante da história do Sport, ao lado do troféu de campeão brasileiro de 1987.
Essas passagens fazem de Durval o maior ídolo da torcida rubro-negra pernambucana. E olha que há concorrentes de peso, como o goleiro Magrão, o volante Sandro Goiano, o atacante Carlinhos Bala e o recém-chegado meia Fumagalli. "Isso é fruto de um trabalho que eu faço desde que cheguei no Sport. Por isso esse reconhecimento e a valorização. Não só minha, mas de todo o time. Esse título é inesquecível, pra todos os jogadores. Vamos entrar na história do clube, por conquistar uma competição muito difícil como essa. Posso dizer que aqui é a minha primeira casa, pois eu passo mais tempo no clube do que na minha própria casa".
O zagueiro de 28 anos, paraibano de Espírito Santo, começou a carreira no Unibol/PE, passou pelo Botafogo/PB e Brasiliense/DF e participou do grupo vice-campeão da Libertadores, pelo Atlético/PR, em 2005, até chegar ao Sport. Da passagem pelo time paranaense, ficou a vontade de voltar a disputar a competição mais importante da América do Sul, algo que ele agora terá a oportunidade de concretizar, pelo Sport. "Sempre penso em disputar uma Libertadores. É uma competição boa, difícil, onde você enfrenta outras escolas. É bom pra nós e para o clube".
"É um Sport que tem qualidade, velocidade e muita marcação. Um Sport guerreiro". Esse tem sido o mantra do técnico Nélson Baptista Júnior, o Nelsinho, de 57 anos, quando precisa definir a equipe onde realiza a primeira experiência no futebol nordestino. E vai ser difícil para o experiente e rodado treinador esquecer essa passagem por Recife.
Em menos de três meses no comando do Rubro-Negro da Ilha do Retiro, Nelsinho conquistava o seu primeiro título, o Campeonato Pernambucano. Em paralelo, o Sport iniciava a campanha fulminante que resultaria no mais importante título da história do clube. O diferencial, em relação ao contestado título brasileiro de 1987, é o fato de, na Copa do Brasil deste ano, o time do Recife ter enfrentado - e eliminado - equipes do porte de Palmeiras, Internacional, Vasco e Corinthians.
Mas nada disso chega a surpreender o treinador. "O que aconteceu aqui é que encontramos um grupo de qualidade. A diretoria conseguiu manter 85% do grupo do ano passado e os que vieram foram dentro de um critério muito seletivo. Isso fez com que o time do ano passado se fortalecesse. Começamos o trabalho no dia 02, começamos a ganhar no Pernambucano e o grupo começou a encorpar. Quando eliminamos o Brasiliense, o espírito da Copa do Brasil foi incorporado por eles. Os jogos da Copa do Brasil eram diferentes para eles".
Normalmente comedido em seus depoimentos, o campineiro de 57 anos revelou um episódio que ele considera fundamental para marcar a virada do Sport dentro da competição e que transformou o time de simples azarão a um demolidor de gigantes.
Educado e avesso às polêmicas, o técnico que deu o título brasileiro de 1990 e o Campeonato Paulista de 1997 ao Corinthians evitou tratar a disputa pelo título da Copa do Brasil como algum tipo de vingança. No final do ano passado, ele foi dispensado por não conseguir salvar o time paulista da queda à Série B. "Significado diferente é ser campeão da Copa do Brasil pela primeira vez, o Sport ser campeão da Copa do Brasil pela primeira vez, a primeira equipe do Nordeste a ganhar esse título. Só isso".