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Carioca - 2019

Opositores da Ferj, Fla e Flu temem 'troco' no Carioca. E até chuva assusta

Até o temporal que atingiu o Maracanã foi motivo para movimentação nos bastidores - Bernardo Gentile/UOL
Até o temporal que atingiu o Maracanã foi motivo para movimentação nos bastidores Imagem: Bernardo Gentile/UOL

Bernardo Gentile e Rodrigo Paradella

Do UOL, no Rio de Janeiro

23/03/2015 06h00

A briga nos bastidores do futebol carioca tem causado temor por parte de Flamengo e Fluminense de uma represália da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) durante o Estadual. O medo de um ‘troco’ marcou as partidas das duas equipes na 11ª rodada da competição, até mesmo quando uma forte chuva interrompeu o clássico entre o Rubro-negro e o Vasco, aliado da federação.

Durante a paralisação de cerca de 50 minutos do clássico no Maracanã, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, deixou clara o seu temor de que a partida fosse adiada e, assim, reiniciada do zero em outra data. Em certo momento, o mandatário rubro-negro chegou a dizer que a partida, que estava 1 a 0 para o time da Gávea, poderia começar até ‘1 a 0 para o Vasco’ no que dependesse da Ferj.

O clima de apreensão dominou os bastidores antes da decisão final da arbitragem de prosseguir com o clássico no Maracanã, principalmente do lado do Flamengo. Tanto é que toda diretoria rubro-negra manifestou o medo de uma interferência a favor dos rivais, o que acabou não acontecendo. O Vasco, por sua vez, jogou com a situação e só deixou o vestiário para retornar ao campo instantes antes da retomada do duelo.

“É malandragem de futebol interpretar o que está acontecendo. Não tinha condição de ter jogo e o árbitro fez correto. No meio do caminho, estava atento a tudo, os jogadores do Vasco queriam que o jogo parasse porque se acabasse o jogo teria outro. Tinha a informação e falei: ‘Vamos para dentro de campo mostrar que queremos jogo’. Já vi muitos jogos com gramados piores”, analisou o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo.

Curiosamente, apesar de todo clima de medo de uma represália, foi o Flamengo que saiu vitorioso com uma decisão da arbitragem: o pênalti de Guiñazu sobre Marcelo Cirino, em falta clara dentro da área. Aliado da federação nos bastidores, o Vasco também teve Bernardo e Guiñazu expulsos em uma confusão no fim do confronto. Na ocasião, dois jogadores do Rubro-negro também foram punidos com vermelho.

O Fluminense, por sua vez, não só temeu, como também insinuou ter sido prejudicado pela briga nos bastidores. Principal alvo do presidente da Ferj, Rubens Lopes, nos últimos dias, o Tricolor teve dois gols mal anulados no empate por 1 a 1 com o Tigres do Brasil, no Maracanã, no último sábado. No fim da partida, Fred fez questão de falar sobre o assunto.

"Temos visto algumas situações que não competem a jogador falar. Estou inteirado sobre tudo. Muita gente reclama. Nosso vice de futebol [Mário Bittencourt] foi suspenso por 15 dias. Parece que tem muita rivalidade extracampo. Algum tipo de 'puniçãozinha' com o Fluminense", disse Fred.

"É triste essa situação. Erram muita contra a gente. Não é desculpa. Temos que ganhar de qualquer jeito, mas sabíamos que isso iria acontecer esse ano. Já tem a dificuldade do campeonato em si. Com essas polêmicas extracampo... Por tudo que temos passado, classificar e ganhar esse titulo seria especial. Mas a realidade é que a cada rodada está ficando mais difícil", lamentou o capitão do Fluminense.

O clima entre Fluminense e Ferj esquentou bastante nos últimos dias por causa de uma divída de cerca de R$ 400 mil cobrada pela federação. O Tricolor questiona a legitimidade do débito, já que metade do valor se refere à taxa de 10% que a entidade tem direito nas receitas brutas de jogos, e o clube entende que foi lesado na mudança de locais de partidas suas contra Friburguense e Vasco, ambas marcadas inicialmente para o Maracanã e depois disputadas em Volta Redonda e Engenhão, respectivamente.

O certo é que o clima beligerante nos bastidores do futebol carioca não mudará tão cedo. Aliados, Rubens Lopes e Eurico Miranda, presidentes de Ferj e Vasco, respectivamente, não escondem suas restrições a Flamengo e Fluminense, inclusive com medidas como mudanças de locais de jogos tomadas justamente como forma de represália neste Carioca.