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Enquanto adolescentes esperavam por ídolo da música, Manga teve recepção discreta no aeroporto de Porto Alegre. Campeão nos anos 70, ex-goleiro será preparador de goleiros e 'embaixador' do clube
Aeroporto Salgado Filho, Porto Alegre, manhã de sábado, 1º de maio de 2010. No saguão do lotado de adolescentes histéricos, um grupo ampara uma menina que chora aos soluços:
"Quem está chegando aí?", pergunta o repórter, desorientado.
"É o Fiuk", responde uma adolescente, virando os olhos para cima, como a criticar a obviedade da pergunta.
"É o filho do Fábio Júnior", termina por esclarecer uma mãe.
A poucos metros, por volta das 11h da manhã, Haílton Corrêa Arruda, 72 anos, tem uma recepção mais discreta. Apenas o vice-presidente de Comunicação Social do Inter, Gelson Pires, aguarda diante do portão de desembarque internacional a chegada de um dos maiores ídolos da história do clube. Camisa vermelha, os dedos retorcidos na mão empurrando o carrinho de bagagens, o ex-goleiro Manga volta a Porto Alegre depois de 25 anos para trabalhar no clube que defendeu na década de 70.
"Estou muito contente e acho que a torcida do Inter também está contente com a volta do Manga. Quero mostrar minha qualidade como formador de goleiros", afirma o ex-goleiro, na companhia da esposa, com quem vivia no Equador.
No caminho do saguão até o estacionamento do aeroporto, enquanto a multidão de adolescentes espera pelo ídolo da atualidade, Manga é interrompido poucas vezes, para dar autógrafos e bater fotos com torcedores. Cumprimenta a todos e agradece as mensagens de boas-vindas. Enquanto aguarda a chegada do carro, exibe os dedos tortos, lembra das defesas dos chutes de Nelinho, do Cruzeiro, repete que jogou com os dedos quebrados e revela a missão que pretende desempenhar no Inter: suprir a carência na formação de novos goleiros.
A contratação de Manga foi fechada após as duas viagens do Inter ao Equador na atual Libertadores. Vivendo em Guayaquil, onde mantinha uma escolinha de goleiros, Manga pediu uma oportunidade para trabalhar em Porto Alegre. Ele vai colaborar na preparação de goleiros das categorias de base do clube, além de participar de festas do Inter no interior do Estado e pelo país.
"Já tenho vários pedidos de email pedindo sua presença nos encontros, o que mostra todo seu carinho com a torcida", explica Gelson Pires.
Natural de Pernambuco, apesar do forte sotaque castelhano, Manga chegou ao Inter em 1974, já com 37 anos, depois de passagens não menos marcantes pelo Botafogo e pelo Nacional do Uruguai. No Inter, participou das conquistas do Campeonato Brasileiro de 1975 e 1976, e hoje é considerado o maior goleiro da história do clube. Manga chegou a jogar no Grêmio, no final da década de 70, e encerrou a carreira no Barcelona de Guayaquil, onde vivia até ser contratado novamente pelo Inter.
"Estou realmente emocionado por voltar à minha casa. Nunca esquecerei das alegrias que vivi aqui. Fazia 25 anos que não botava meus pés em Porto Alegre", disse Manga, em coletiva de imprensa na tarde deste sábado no Beira-Rio.
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