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Libertadores - 2019

Com liga em crescimento, times dos EUA se dizem "ansiosos" para jogar Libertadores

Torcida e mascote fazem festa em partida do Portland Timbers na MLS - Steve Dykes/Getty Images
Torcida e mascote fazem festa em partida do Portland Timbers na MLS Imagem: Steve Dykes/Getty Images

Francisco De Laurentiis

Do UOL, em São Paulo

25/04/2013 06h37

Em crescimento acelerado, a MLS, liga de futebol dos Estados Unidos e Canadá, já prepara seu próximo passo para entrar no rol dos melhores campeonatos do mundo. Como o UOL Esporte mostrou, o torneio já tem média de público muito superior à do Brasil e foca no objetivo de ultrapassar até mesmo as grandes ligas da Europa em dez anos. Para “amadurecer”, agora os times da América do Norte querem fazer como os mexicanos e disputar a Copa Libertadores.

A MLS já planeja esse passo desde outubro de 2010, principalmente devido à chegada do mexicano Chivas, convidada pela Conmebol, à final da Libertadores – acabou como vice do Internacional. Neste ano, a boa campanha do Tijuana (e principalmente os bons públicos que a equipe leva ao estádio Caliente) deixaram as equipes dos EUA e Canadá ainda mais animadas.

Nem mesmo o fato de a Libertadores não dar aos convidados vaga no Mundial de Clubes da Fifa desanima. O objetivo da MLS é outro: elevar o nível técnico e tornar os clubes norte-americanos famosos na América Latina, tornando a liga, fundada em 1996, ainda mais forte.

“A MLS sempre esteve interessada em participar em torneios internacionais de respeito, como a Libertadores. Jogar contra os melhores times da América seria essencial para que a liga pudesse se desenvolver ainda mais”, disse Nelson Rodriguez, vice-presidente de competições, ao UOL Esporte.

APÓS BATER PÚBLICO DO BR, LIGA DOS EUA PREVÊ SUPERAR EUROPEUS EM 10 ANOS

  • Divulgação/MLS

    A fama que os norte-americanos têm é de que nem sabem que o futebol existe, tanto que chamam o esporte de soccer, diferente do restante do mundo. Não poderia haver mentira maior. Crescendo a cada ano, a MLS, liga dos Estados Unidos e do Canadá, vem lotando estádios e já viu sua média de público atropelar a do Brasil. Segundo estudos, o campeonato vai se tornar um dos maiores do mundo até 2022, deixando torneios tradicionais, como os do Brasil e da Itália, para trás. LEIA MAIS

“Nós já disputados a Copa Sul-Americana há alguns anos (leia mais no box abaixo), e temos uma excelente relação com a Conmebol. Ainda não recebemos convites para disputar a Libertadores, mas estamos ansiosos em explorar essa possibilidade”, completou o dirigente.

Dirigentes da Conmebol e da MLS já iniciaram, ainda no ano passado, contatos para aparar arestas e encaixar as equipes dos EUA e Canadá na mais importante competição sul-americana de clubes. Novos encontros devem acontecer durante a Copa das Confederações, no Brasil, para definir a situação. As novas equipes poderiam ingressar já na edição de 2015 do torneio.

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA DA MLS NA AMÉRICA DO SUL FOI EM 2005

  • O primeiro time dos Estados Unidos a figurar como convidado em uma competição da Conmebol foi o DC United. Em 2005, a equipe de Washington, capital estadunidense, teve uma rápida participação na Copa Sul-Americana, sendo eliminada nas oitavas de final (mesma fase em que entrou). Não foi sem luta, porém: após empatar com a Universidad Catolica-CHI por 1 a 1 no jogo de ida, no Kennedy Memorial Stadium, o United chegou a abrir 2 a 0 em Santiago, nove dias depois. Uma espetacular virada chilena, com direito a um golaço de falta do argentino Darío Conca (ex-Fluminense), eliminou os norte-americanos: 3 a 2. O campeão naquele ano seria o Boca Juniors, da Argenina, que, na decisão, enfrentou outro time convidado pela Conmebol: o Pumas, do México (que eliminou o Corinthians).

O principal problema são as grandes distâncias que os times sul-americanos teriam que enfrentar para ir à América do Norte, e vice-versa. Uma hipotética ida de Porto Alegre a Seattle, casa do Seattle Sounders (um dos times mais fortes da MLS), por exemplo, daria cerca de 11 mil quilômetros. A viagem levaria 14 horas, sem contar as escalas.

Como benefício, ao menos para a Conmebol, aparece a injeção de dinheiro que as redes de TV dos EUA poderiam colocar nos cofres da entidade. A grana de gigantes de comunicação do México, como a poderosa Televisa, foi um dos fatores que motivou a inserção dos mexicanos na Libertadores. A crítica é que, como a Libertadores não dá chance de disputar o Mundial da Fifa, os convidados não disputariam o torneio com afinco, escalando times reservas.

  • Torcida do Seattle Sounders é considerada uma das mais fanáticas da liga americana

Os clubes norte-americanos, no entanto, parecem bastante interessados em disputar o torneio sul-americano. Eles veem possíveis convites como excelente oportunidade.

“Acho que seria ótimo (disputar a Copa Libertadores). Acredito que nossos torcedores iriam adorar, e também acho que as equipes da MLS levariam essa oportunidade muito à sério. Tomara que aconteça no futuro”, sonha Chris Canneti, presidente do Houston Dynamo (atual vice-líder da MLS), ao UOL Esporte.

“Em pouco tempo, a MLS cresceu muito, e a liga hoje tem a ambição se ser uma das melhores do mundo. Mas, para alcançarmos isso, temos que mostrar que podemos competir com os grandes times de fora do país no campo”, destaca Jaime Cárdenas, executivo do Los Angeles Galaxy, atual bicampeão da MLS, também ao UOL Esporte.

Atualmente, os times dos EUA e Canadá disputam somente a Liga dos Campeões da Concacaf, competição que nunca foi conquistada por um time deste países desde que assumiu o formato atual. Nesta temporada, LA Galaxy e Seattle Sounders foram até as semifinais, mas foram eliminados pelos mexicanos Monterrey e Santos Laguna, que farão a final e brigarão por uma vaga no Mundial de Clubes da Fifa, em dezembro, no Marrocos.

SUCESSO, "EXPERIÊNCIA BECKHAM" TURBINOU PÚBLICO DO SOCCER NOS EUA

  • REUTERS/Danny Moloshok

    Na MLS, há um consenso: os cinco anos que o astro David Beckham passou jogando no Los Angeles Galaxy, da Califórnia, foram essenciais para o crescimento do público do soccer no país. O inglês chegou aos EUA em 2007, e fez várias grandes empresas, como AT&T, Visa, Volkswagen e Microsoft firmarem acordos de patrocínio com o torneio e com os clubes. Canais de TV e estações de rádio também tomaram gosto pela competição, que ganhou novos apoiadores. LEIA MAIS