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15/10/2009 - 14h00

Carros e trânsito caótico emperram nascimento de estrelas no futebol egípcio

Rodrigo Farah
No Cairo (Egito)
As estatísticas apontam que até 2015, Cairo disputará lado a lado com São Paulo e Cidade do México os piores índices de tráfego do mundo. O crescimento desenfreado da frota de veículos afeta vários setores da sociedade egípcia, como os indicadores de poluição e o interesse dos turistas. Mas o trânsito caótico começou a fazer vítimas até no futebol e é apontado como um dos principais culpados pela falta de novos talentos no país.

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    Principal clube egípcio, o Al Ahly cobra R$ 38 mil por título de sócio

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    Trânsito desordenado atrapalha a prática de futebol entre egípcios

Sem uma boa infra-estrutura de transporte público e com a gasolina vendida a preço irrisório (pouco mais de R$ 0,50 o litro), o carro segue como o meio de locomoção imbatível no Egito. Além do tráfego, o grande número veículos origina a falta de espaço para estacionamento.

É normal ver carros parados em filas duplas e até triplas em boa parte das ruas de Cairo, Suez, Ismailia e Port Said. Outros motoristas mais preguiçosos chegam até mesmo a invadir as calçadas, sem se importar com a pouca fiscalização presente no Egito. Como resultado, as crianças dos centros urbanos perdem a maioria do espaço para recreação. Há falta de parques e espaços livres, todos tomados pelos veículos.

"Não existe lugar para as crianças jogarem futebol nas ruas e nos pátios como antes. É muito difícil para elas. Eu, por exemplo, cresci jogando bola na rua. Foi assim que aprendi. Mas hoje em dia está tudo tomado pelos carros e isso acaba com o surgimento de novos jogadores de qualidade", explicou Abdel Latif Eman, coordenador das categorias de base do Al Ahly, maior clube do futebol africano.

Só no Cairo, são três milhões de carros divididos entre oito milhões de habitantes. Ou seja, quase 40% da população da capital possui um veículo.

"As crianças quase não têm espaço para se desenvolver no futebol, a não ser que estejam filiadas a algum clube. Isso dificulta nosso trabalho e nos obriga a buscar várias alternativas. As cidades não têm tanto espaço para o número de carros que possuem", completou o vice-presidente de futebol do Al Ahly, Ahmed Becker.

Uma das saídas citadas pelo dirigente seria a filiação aos centros esportivos particulares. Entretanto, a maioria deles está limitada a uma pequena parcela da população. Para virar sócio de uma entidade como o Al Ahly, por exemplo, é necessário desembolsar 120 mil libras egípcias, cerca de R$ 38 mil.

A primeira solução procurada pelos clubes foi a procura por novos jogadores em áreas afastadas dos centros urbanos. O problema é que o futebol não é tão acompanhado por lá como nas grandes cidades. Logo, a prática do esporte também não é tão popular.

"Às vezes temos que procurar os meninos no deserto mesmo, mas é difícil encontrar alguém bom. Tem ficado cada mais complicado para os clubes e, consequentemente, para as seleções de base do Egito. Não faltam candidatos, mas sim candidatos de qualidade", ressaltou Rabea Iasswin, atual técnico da seleção sub-15 do Egito, que seguirá à frente da geração até a disputa do Mundial sub-20 de 2013.

Mesmo com a falta de locais para a prática do futebol nas grandes cidades, o interesse dos jovens pelo futebol não diminuiu. Tanto, que o Al Ahly afirma receber cerca de 100 mil inscrições para sua seletiva anual de atletas entre 10 e 18 anos. Mas é claro que mais de 99% dos aspirantes a jogadores são descartados.

"Recebemos atletas das 28 províncias do Egito. Porém, são bem poucos aqueles que chegam com uma qualidade razoável. Também mandamos olheiros por todo o país, mas não é tão simples assim achar alguma coisa fora das cidades", lamentou Abdel Latif Eman.

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