
Projeto do estádio Mané Garrincha para a Copa do Mundo de 2014 é o mais caro entre as sedes
Candidato a receber a partida de abertura da Copa do Mundo de 2014, o estádio Mane Garrincha, em Brasília, encara suspeita de irregulares a partir de um superfaturamento que chega a R$ 74 milhões para suas obras de ampliação. Com os problemas, a sede corre risco de perder prazos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Fifa devido à licitação suspensa.
De acordo com reportagem do jornal Folha de S. Paulo, o Tribunal de Contas do Distrito Federal registra até 65% de preços acima dos valores de mercado no projeto do estádio na capital brasileira e o custo total é estimado para R$ 740 milhões, o que faria do estádio o mais caro da Copa do Mundo.
“Da análise dos preços orçados para os serviços, observou-se sobrepreço médio de cerca de 22%. Os destaques dessas variações de preço foram relacionados aos itens contreto, forma e transporte de material, cujas variações ficam entre 35% e 65%”, informa o relatório do TCDF.
Com as irregularidades, o processo de licitação foi paralisado em fevereiro e o governo terá de esclarecer e corrigir as falhas. A CBF quer o início das obras para maio, mas até o período não há qualquer julgamento pautado para o caso. A obra deverá levar três anos e a Fifa pede que todos os estádios fiquem prontos até 2012.
A reforma no estádio Mane Garrincha aumentará a sua capacidade de 45 mil para 71 mil torcedores, em uma estrutura com três subsolos, onde ficarão os estacionamentos privativos, vestiários e uma central médica além das áreas de apoio que são exigência da entidade máxima do futebol.
“A análise do edital demonstrou a existência de uma série de irregularidades que devem merecer reparo, sob pena de elevado prejuízo para os cofres públicos”, diz o parecer do MP.
O projeto já havia sido suspenso em dezembro, mas o governo do Distrito Federal decidiu prosseguir com a licitação. O diretor da Novacap, empresa estatal responsável pela urbanização e jardinagem no DF, José Alves de Melo Júnior, foi convocado pelo tribunal para explicar os preços da licitação e pode receber multa de até R$ 20 mil por descumprir ordens do tribunal.
O projeto de reforma do estádio era comandado inicialmente por Fábio Simão, então chefe de gabinete do governador cassado José Roberto Arruda, após suposto envolvimento em esquema de corrupção. O então coordenador acabou afastado em novembro do projeto pela Polícia Federal, que lhe investiga como um dos operadores do mensalão do DEM.
Além do Mané Garrincha, o estádio do Mineirão é postulante à sede da abertura da Copa do Mundo de 2014, assim como o estádio do Morumbi, que tem encontrado problemas com adequação ao que pede a Fifa.
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