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07/07/2008 - 15h40

Repórter de 2ª na 3ª: O início da jornada

José Roberto Torero
Em Arapiraca (AL)
A viagem começou na quarta-feira de manhã, às 11h33 e o odômetro do carro indicava 39029 km. Mas, assim como Dom Quixote, minha primeira saída durou pouco. Depois de andar apenas duas quadras lembrei que havia esquecido os óculos escuros, meu Guia 4 Rodas e uma caixa de Bis, equipamentos essenciais para um viajante (principalmente a caixa de Bis).

José Roberto Torero/UOL
Moqueca de lagosta devorada pelo repórter em parada em Guarapari
José Roberto Torero/UOL
Nosso repórter ao lado do mestre Jorge Amado em um bar de Ilhéus
José Roberto Torero/UOL
Mal sinalizado, trecho da BR-101 na Bahia lembra videogame de ação
PÁGINA REPÓRTER DE 2ª NA 3ª
CONHECENDO ARAPIRACA
CLASSIFICAÇÃO DA SÉRIE C
No primeiro dia só consegui ir até Casimiro de Abreu, uma cidade 131 km ao norte do Rio de Janeiro. Dormi num bom hotel de beira de estrada e na manhã seguinte estava de volta ao batente, digo, à direção.

Neste segundo dia cruzei quase todo o estado do Espírito Santo e aproveitei para fazer algumas paradas estratégicas.

Em Anchieta, por exemplo, vi aquela que talvez seja a igreja mais antiga do país e um pedaço da tíbia do Apóstolo do Brasil.

Isso de exibir restos mortais de homens religiosos era um costume muito difundido na Idade Média. Às vezes havia tantos pedaços de um mesmo sujeito que, fossem eles verdadeiros, os tais santos teriam três metros e quatro braços.

Logo depois de Anchieta, parei para almoçar num restaurante estrelado pelo Guia, o Cantinho do Curuca, em Guarapari. Ao lado, a última foto da minha moqueca de lagosta antes que eu a exterminasse impiedosamente.

À noite cismei de dormir em Itaúnas. E me dei mal. Peguei 25 km de terra.

Viajar assim lembra aqueles jogos de videogame nos quais você dirige vendo apenas alguns metros à sua frente. A diferença é que na estrada real você só tem uma vida.

No final, o esforço valeu a pena, porque de manhã pude dar uma olhada nas dunas de Itaúnas.

Depois de andar mais 40 km de terra (inventei de sair por outro caminho), voltei à gloriosa BR-101 e entrei na Bahia. Aliás, no sul da Bahia a estrada não tem acostamento. Se você tiver algum problema no carro ou precisar fazer um xixi stop, terá que esperar uns 50 km.

No fim da tarde de sexta cheguei a Ilhéus, onde visitei a casa em que morou Jorge Amado (seu pai ganhou na loteria da época e ficou rico), hoje transformada em Centro Cultural.

Por sorte, o próprio Jorge Amado estava na cidade e aproveitei para bater um papo com ele no Bar Vesúvio.

Depois fomos até o Bataclan, mas, para minha decepção, já não funciona mais como um cabaré, e sim um centro cultural. Em vez de Maria Machadão, encontrei uma banda de samba-pop-rock ou algo assim. Sacanagem...

Lá em Ilhéus dormi num hotel feito em 1933, o Hotel Ilhéus. Ele ainda tem elevador com portas de correr e está razoavelmente bem conservado. Com uma pequena reforma, poderia ser realmente charmoso. E também seria bom acabar com as pulgas.

No sábado estiquei até Aracaju. A BR-101 do norte da Bahia tem acostamento, mas, em compensação, não tem faixas. É só o negro do asfalto. À noite deve ser impossível dirigir por lá. E mesmo de dia é perigoso, como mostra a foto ao lado, tirada de dentro do carro.

No domingo entrei em Alagoas (onde a BR tem faixas e acostamento, mas mais buracos que asfalto). Então, finalmente, quatro dias e quatro minutos depois, 2.753 km longe de casa, eis que chego a Arapiraca.

O resto é futebol.

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12/07/08

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FATOS DA AVENTURA

7156 km

percorridos desde São Paulo

701 l

de gasolina gastos no seu possante

15377

mordidas em refeições e lanches

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Lar, doce lar

O PIOR DO DIA

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Os quilos que ganhei

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