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14/07/2008 - 09h46

Repórter de 2ª na 3ª: Central 0 x 0 Campinense

José Roberto Torero
Em Caruaru (PE)
Ainda bem que não acredito naquele ditado que diz "A primeira impressão é a que fica", senão teria detestado o jogo entre Central x Campinense.

José Roberto Torero/UOL
Muitas mulheres acompanharam o jogo entre Central e Campinense, no domingo
José Roberto Torero/UOL
Antonio e Everton acompanharam o 1º tempo atrás do gol do time adversário
PÁGINA DO REPÓRTER DE 2ª NA 3ª
VEJA AS FOTOS DE CARUARU
PÁGINA DA SÉRIE C DO BRASILEIRO
Isso porque a entrada no estádio Lacerdão foi uma bagunça.

O portão principal tem apenas duas roletas. E elas, é claro, não funcionam. Fica um tremendo empurra-empurra.

Como as roletas estão quebradas e só servem para atrapalhar o fluxo, o controle dos ingressos é feito manualmente. Mas os porteiros não devolvem os canhotos aos torcedores. Ou seja, fica fácil fazer alguma tramóia. É só querer.

Lá dentro, o estádio não melhora muito. Não há assentos de plástico. É só cimento mesmo. Mas o pior são os banheiros: escuros, apertados, sem ventilação e, no fim do jogo, estavam alagados. Espero que de água.

Com tudo isso, o Lacerdão é, até agora, o pior estádio desta viagem.

O jogo começou duro. Os carregadores de maca teriam direito a ganhar hora extra. O Central, último colocado do grupo e precisando da vitória, começa atacando, mas aos poucos o Campinense equilibra o jogo.

Washington, o camisa 10 do Campinense, faz boa partida. Dá bons dribles, passa com facilidade pelos zagueiros e leva perigo ao goleiro Davi, que joga com um uniforme dourado que cintila ao sol de Caruaru.

"Tarde de muito sol na capital brasileira do forró", diz o locutor da rádio Liberdade.

Mas o primeiro tempo fica apenas nas ameaças. Os chutes do Central passam longe do gol de Pantera e os poucos arremates do Campinense param no dourado Davi.

No intervalo, como é proibido vender bebidas alcoólicas no estádio, os torcedores vão até o portão e pegam cerveja dos ambulantes. A polícia não deixa que os torcedores subam as escadas com os copos, mas permitem que bebam ali. É a velha hipocrisia tupiniquim. Ou o tal jeitinho brasileiro.

Para os glutões de intervalo (como eu) digo que no Lacerdão o mais interessante são os quatro tipos de amendoim: com casca, com casca e cozido, sem casca mas com pele, sem casca e sem pele. E há ainda ovos de codorna.

No segundo tempo, resolvo assistir ao jogo do lado do Campinense. Para minha surpresa, há várias mulheres lá. Algumas com família, outras com namorados, algumas outras com amigas.

É o caso de Valnice, Cristiane e Karla. Elas nasceram em Campina Grande, mas há dez anos se mudaram para Caruaru. E, toda a vez que o Campinense vem à cidade, elas estão em campo.

Já a bancária Elizanira Souza Ramalho veio com a família (14 pessoas) numa van. Ela diz que até já chorou por causa de futebol, mas deixa claro que os homens choram mais. Pelo menos por futebol.

E alguns devem ter chorado ao ver Washington perder um gol na cara de Davi. Ele desviou o cruzamento com classe, mas a bola passou lentamente ao lado da trave. "Uh!", fizeram as torcedoras.

O jogo fica muito bom. O Central tem mais posse de bola e pressiona. O Campinense recorre a contra-ataques rápidos. Há chances lá e cá.

Marco Antonio, atacante que estreava no Central, entra pela esquerda e perde o gol para alívio de Patrícia, que veio ao jogo com o marido. Ambos torcem para o Vasco, mas, como o esposo nasceu em Campina Grande, hoje são Campinense.

Washington acerta o travessão e quase desvirgina o placar.

Mas quem está perdendo a virgindade futebolística é Karol Aires, 17, que pela primeira vez assiste a uma partida. Ela está no primeiro ano de administração e não torce para nenhum dos times. Veio com a família apenas para ver como é um jogo de futebol.

Já Luiza Farias, analista de sistemas em Campina Grande, é uma veterana. Quando pergunto por que ela gosta de futebol, ela responde com entusiasmo: "Porque o futebol parece uma dança, um balé. É um espetáculo, um show. É arte!"

No campo, lance de perigo: num rápido contra-ataque, dois atacantes do Campinense ficam contra um zagueiro do Central. Mas Davi sai muito bem e evita o gol certo. O goleiro realmente está num dia dourado.

Termina o jogo. Contei três grandes chances para o Central, que continua na última posição, e cinco para o Campinense, que se mantém na liderança.

Curiosamente, a torcida visitante sai primeiro do estádio. Ou seja, setecentos saem e sete mil ficam esperando por vinte minutos. Uma lógica muito estranha. Talvez seja cavalheirismo com as torcedoras campinenses. Talvez.

Durante a saída, mais apertos. Infelizmente, o Lacerdão une o pior de dois mundos. Não tem o charme dos estádios pequenos nem o conforto dos grandes.

A única vantagem é que, na aglomeração, reencontro meus dois anfitriões, Éverton e Antonio. Este, com ar conformado, sentencia: "Torcer para o Central é que nem asma: às vezes melhora, mas é uma doença."

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