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Bruno Roberto Lima, 21, no segundo ano de Direito, foi meu leitor-guia em Itabuna. Ele também é um adepto da bigamia futebolística, mas não torce para a dobradinha Flamengo-Itabuna como a maioria dos moradores da cidade, e sim para a dupla Bahia-Itabuna.
Bruno é o caçula de quatro irmãos, todos torcedores do Bahia. E, entre as duas equipes, acaba gostando mais da de Salvador. Isso é um pouco estranho em Itabuna, porque os torcedores locais têm certa bronca do tricolor. Segundo Bruno, isso acontece porque nos anos 70, quando a cidade tinha um bom time, perdia sempre para o Bahia, e os torcedores diziam que os juízes roubavam, que jogadores eram comprados e coisas assim. Porém, os itabunenses detestam ainda mais o Colo-Colo, da cidade rival: Ilhéus. Só aí é preciso separar as torcidas. Nos outros jogos, mesmo contra Bahia e Vitória, as torcidas assistem ao jogo juntas, misturadas, sem cordões de isolamento. Bruno vem a todos os jogos do Itabuna. Porque gosta de futebol e também porque a cidade não tem muitas opções de lazer. Ele é daqueles que assiste aos jogos com o rádio grudado ao ouvido. E gesticula como se fosse um técnico. Mas não se esgoela. É um torcedor-mímico. Seu pior momento como itabunense foi a derrota nas semifinais de 2003 para o Vitória. O time perdeu por 1 a 0, em casa (depois levaria 6 em Salvador). Por outro lado, sua melhor memória do Dragão foi um 2 a 1 sobre o mesmo Vitória no último Campeonato Baiano. Se bem que o melhor momento do time neste ano tenha sido o 3 a 0 sobre o Bahia. Porém, neste jogo Bruno torcia para os visitantes. A bigamia tem seus problemas. |
percorridos desde São Paulo
de gasolina gastos no seu possante
mordidas em refeições e lanches
Lar, doce lar
Os quilos que ganhei