
Momentos antes do desembarque em Brasília (DF), o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o técnico Luiz Felipe Scolari e o capitão Cafú posaram com a taça da Copa do Mundo de 2002 |
Há exatos dez anos a seleção brasileira conquistava o seu quinto título mundial. O penta, que ficou marcado pela reabilitação de Ronaldo, a consagração de Felipão e da chamada família Scolari foi responsável, segundo quem conviveu nos bastidores da CBF, pela sobrevida de Ricardo Teixeira na entidade.
O cartola, que renunciou ao cargo quase dez anos depois do título envolvido em denúncias de corrupção, vivia uma situação crítica antes da conquista. Teixeira tinha sido investigado em duas CPI’s, em 2000 e em 2001. As duas apresentaram irregularidades na gestão do cartola, que assim como na gestão Dilma Rousseff não era recebido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
“Saímos sem sequer receber um ‘boa sorte’. Não fomos recebidos pelo FHC, pela situação política da época antes da viagem”, lembra o vice-presidente da CBF, Weber Magalhães. Em 2002, ele foi o chefe de delegação da equipe vitoriosa no Japão. “Sem esse título, dificilmente o Ricardo Teixeira se manteria no cargo”, opina.
O cartola era um dos homens de confiança do ex-presidente da entidade máxima do futebol no Brasil. Junto com o diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, o atual presidente do Barcelona, Sandro Rosell e o ex-secretário-geral e tio de Teixeira, Marco Antônio, formou o grupo de confiança do cartola.
Na Copa de 2002, Sandro Rosell era o principal executivo da Nike, patrocinadora da CBF, na América Latina. Fã de futebol, se aproximou de Teixeira com quem diz ter uma “amizade verdadeira”. Mesmo após deixar a empresa americana, seguiu próximo ao cartola. Até hoje, Rosell frequentava os bastidores da seleção. Esteve na Copa América de 2011 e participou de negociações de amistosos do Brasil. Foi assim em 2008, quando a sua empresa Ailanto organizou o jogo contra Portugal em Brasília. O negócio, de R$ 9 milhões, está sendo investigado pela Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos do governo do Distrito Federal.
Chefe de delegação em 2002, o vice-presidente da CBF foi homem forte de Teixeira em Brasília. No auge da CPI, o cartola, que é filiado ao PSDB, tentava melhorar a relação do cartola com deputados e o governo federal. Com a chegada de Lula ao poder, Weber perdeu força. O ex-presidente abriu as portas do Planalto para Teixeira, que já não precisava de intermediários. Mesmo assim, o cartola seguiu na vice-presidência da CBF, cargo que ocupa até hoje.
Ex-assessor de imprensa de Ronaldo, Rodrigo Paiva entrou na CBF também no auge da crise institucional da entidade. Como Ricardo Teixeira evitava entrevistas e conversas com a imprensa, o jornalista virou a voz da entidade durante a era Teixeira. Paiva era braço direito do cartola e de assessor foi alçado a diretor de comunicação do Comitê Organizador Local da Copa de 2014. Com a saída de Teixeira, deixou o COL, mas segue na CBF.
Ex-braço direito de Ricardo Teixeira, seu tio cresceu na entidade após a conquista do penta. Secretário-geral, Marco Antônio virou uma espécie de homem forte nos bastidores da seleção. O reinado, entretanto, foi abalado após a Copa de 2006. A criticada preparação do Brasil antes do Mundial da Alemanha caiu na conta do tio de Teixeira, que não o demitiu na época, mas tirou o seu poder. Antes da renúncia do ex-presidente, Marco Antônio foi demitido da entidade.
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