Os estádios com projetos mais caros para a Copa do Mundo de 2014 são, justamente, os que correm mais risco de serem pouco utilizados após a competição. A despeito da pouca tradição do futebol local, Manaus e Brasília anunciaram investimentos de R$ 600 milhões para as reformas do Vivaldão e do Mané Garrincha, respectivamente. No entanto, o presidente da CBF e do comitê organizador do Mundial, Ricardo Teixeira, diz acreditar que os dois não se tornarão "elefantes brancos".
Para justificar, o dirigente utiliza a experiência de sucesso na Alemanha como argumento para justificar os altos investimentos nos dois estádios.
"Eu li uma reportagem que mostrava um avanço do futebol nas cidades que foram sede da Copa do Mundo na Alemanha. Isso é algo que pode acontecer aqui também", afirmou Teixeira.
Na Alemanha, depois de investimentos de cerca de 1,5 bilhão de euros na reforma dos estádios, sendo que boa parte saiu dos cofres públicos, as arenas estão sendo utilizadas por, ao menos, um clube que está entre as duas principais divisões do futebol nacional. Além disso, com a gestão dos locais sendo feitas por empresas, como acontece no Commerzbank-Arena, de Frankfurt, que frequentemente abre suas portas a eventos musicais de grande parte.
Porém, mesmo com o otimismo do presidente da CBF, um cenário mais realista não dá margem a tanta esperança. Em Brasília, por exemplo, o Gama utiliza o recém-reformado estádio Bezerrão, restando ao Brasiliense, do ex-senador Luis Estevão, trocar a Boca do Jacaré pelo remodelado Mané Garrincha.
Já em Manaus, para tentar viabilizar o Vivaldão, o governo amazonense estuda, inclusive, investir diretamente no desenvolvimento de pelo menos um clube da capital. O sonho das autoridades é alçar algum time, pelo menos à Série B do Campeonato Brasileiro. Atualmente, o mais próximo desta façanha é o Nacional, que está inscrito na nova Série D do Nacional.
Entre as arenas que serão totalmente construídas, a Cidade da Copa, em Recife, poderá receber os jogos do Náutico. A Arena das Dunas, em Natal, também deve ter o mesmo destino, apesar de ainda não haver nenhuma conversa mais adiantada neste sentido.
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