Nesta quinta-feira, a violência tomou conta do segundo dia de greve dos operários envolvidos nas obras para a Copa do Mundo na África do Sul. Carros e algumas pessoas foram apedrejados durante os protestos dos grevistas, que exigem melhores salários a quem trabalha na construção de estádios e estações de trem no país.
Segundo a policia local, ninguém ficou ferido no segundo dia da greve. Os casos de violência começaram na Cidade do Cabo. A polícia tentou dispersar os manifestantes, reunidos em torno do estádio Green Point. Cerca de 200 grevistas tentaram entrar na arena para intimidar colegas que furaram a paralisação. As obras no local, que terá capacidade para um público de 68 mil pessoas, já haviam sofrido atrasos por conta de outras duas greves anteriores.
Lesiba Seshoka, porta-voz do sindicato, afirmou que 70 mil pessoas participam da paralisação e disse que ela continuaria até que as exigências fossem atendidas. Os trabalhadores da construção civil querem um aumento de 13% em seus salários. Já os empregadores oferecem um reajuste de 10,4%.
Joe Campanella, porta-voz da Federação Sul-Africana dos Construtores da Engenharia Civil (Safcec, na sigla em inglês), disse que 25 mil operários estavam em greve nesta quinta-feira, 11 mil a mais do que no dia anterior. As negociações para resolver o impasse começaram nesta manhã e devem durar o dia todo. Membathisi Mdladlana, ministro do Trabalho, reuniu-se com membros do sindicato e representantes das companhias, além de autoridades do comitê organizador da Copa do Mundo.
Há o temor de que a greve atrapalhe ainda mais os prazos já apertados do cronograma dos projetos de construção, que tinham previsão de conclusão em meados de dezembro. Na África do Sul, o salário mínimo fica em torno de US$ 200, mas os sindicatos reclamam que alguns operários ganham US$ 1,5 por hora e outros, apenas US$ 5 semanais.
A África do Sul está reformando cinco estádios (quatro estão prontos) e construindo outros cinco (o de Port Elizabeth já foi aberto) para sediar a Copa, a primeira a ser disputada no continente.