Apostando na política do "bom e barato", Guarani e Guaratinguetá conseguiram dar a volta por cima na mesma temporada. Após serem rebaixados no último Campeonato Paulista, estes clubes do Interior de São Paulo mudaram de técnicos, jogadores e até de presidente, e conseguiram desempenhar um bom papel nas competições nacionais do segundo semestre, o que deve render bons frutos para as agremiações já no ano que vem.
VOLTA POR CIMA NO BRASILEIRO
Restando seis rodadas para o término da Série B, Guarani está próximo de confirmar retorno à elite
Guaratinguetá ficou em terceiro lugar na Série C e conseguiu o acesso para a Segunda Divisão
Isso porque, depois de cair para a Série A-2 do estadual na última rodada, o Guaratinguetá conquistou o direito de disputar a Segundona de 2010 ao ficar em terceiro na Série C do Campeonato Brasileiro deste ano. Já o Guarani, rebaixado no torneio regional após ficar na 19ª colocação, com somente 14 pontos em 19 jogos, está muito próximo de voltar à elite, pois ocupa a vice-liderança da Série B do nacional, com 62 pontos, faltando apenas seis rodadas para o término da competição.
No entanto, apesar das coincidências dentro de campo, os times de Campinas e do Vale do Paraíba viveram uma temporada com realidades financeiras bem diferentes. Embora conte com uma maior tradição no futebol, o Guarani enfrenta atualmente mais dificuldades do que o Guaratinguetá, em razão das penhoras judiciais que tem de arcar desde o início do ano, o que obrigou a diretoria, em 2009, apostar na base da equipe que conquistou o acesso na Série C de 2008.
"Infelizmente o time não correspondeu no primeiro semestre. Nos dias atuais, o Paulistão ocorre num curto prazo de tempo e isso dificulta muito para a gente obter uma resposta do elenco", analisou o presidente do Guarani, Leonel Martins de Oliveira, ao
UOL Esporte.
Depois da queda, a diretoria do clube de Campinas fez tudo ao contrário do que é apontado por especialistas como um bom planejamento no futebol. Antes do início desta Série B, o Guarani mudou de técnico e trouxe de volta Oswaldo Alvarez, o Vadão, contratou 16 novos jogadores e se desfez de 13, mantendo apenas seis atletas do antigo elenco: Maranhão, Glauber, Dairo, Gisiel, Cássio e Andrezinho.
"E mesmo assim deu certo. Todos tinham perdido a confiança no time e, em função do desastre do rebaixamento, tivemos que mudar drasticamente o grupo. Com isso, a torcida criou outra expectativa sobre a equipe, o que motivou o bom rendimento dos jogadores dentro de campo desde o início da Segunda Divisão. Falta pouco para encerrarmos o ano com o acesso", afirmou o dirigente do Guarani.
Já o Guaratinguetá começou a temporada com os cofres cheios devido, principalmente, aos acordos de patrocínios que fez para disputar o principal torneio regional do País. Funcionando como clube-empresa desde 2004, a agremiação do Vale do Paraíba, com isso, contratou jogadores considerados "caros" para seu porte financeiro: chegaram Rodrigão, Luizão, Ricardinho e Wellington Amorim.
Além deles, a diretoria apostou nas voltas de jogadores como Magal, Ale e Renato, que fizeram parte da campanha do Paulistão do ano passado, quando a equipe conseguiu chegar às semifinais do torneio. Mesmo assim, o time foi rebaixado na última rodada, perdendo nos critérios de desempate para Mogi Mirim e Botafogo-SP.
Com isso, os múltiplos investimentos deram lugar a uma política de "pé no chão" para a disputa da Série C e a equipe foi formada por jogadores com experiência em divisões de acesso. Do time rebaixado, somente o goleiro César, o zagueiro Rocha, o meia Nenê e o atacante Diego Dedoné permaneceram até o final da competição.
Depois de uma estreia com derrota para o Ituiutaba-MG por 3 a 0, o técnico Candido Farias pediu demissão e Vilson Tadei chegou para não sair mais até o histórico acesso para a Série B, que culminou com o pedido de demissão do então presidente, Carlos Arine, o Carlito, que alegou motivos pessoais para o seu desligamento.
"Reduzimos bastante a folha salarial do elenco que jogou o Paulistão para o que disputou os jogos do segundo semestre. O rebaixamento nos trouxe muitos ensinamentos na nossa maneira de agir. Não vamos mais contratar jogadores que não tenham compromisso com o clube", apontou o novo presidente do Guaratinguetá, José Eduardo Ferreira, que aspira novos acessos na sua gestão.
"Agora, esperamos uma temporada melhor ainda no ano que vem. Atualmente, a Série B é tão vista e divulgada quanto a Primeira Divisão, o que nos vai ajudar muito a obter maiores verbas de patrocínios, placas de anúncios e venda de jogador", completou.
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