O técnico da seleção brasileira Dunga afirmou em entrevista publicada na edição desta semana da revista
IstoÉ que para ir à Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, o meia Ronaldinho Gaúcho, do Milan, depende apenas de si. Para o treinador, a questão é mais por comprometimento com o grupo do que pela técnica do jogador.
"Ele é um jogador diferenciado. Depende dele. Quero contar com os melhores. Mas nossa seleção deixou de ser apenas uma questão exclusivamente técnica. É uma questão de competitividade e comprometimento", explicou Dunga, que negou que a convocação de Ronaldinho para os Jogos Olímpicos de Pequim tenha sido feita pelo presidente da CBF, Ricardo Teixeira, para a imprensa.
"O presidente já tinha falado com a gente antes. Tínhamos nos reunido e traçado na preparação da seleção olímpica. O presidente me perguntou se ainda pensava no Ronaldinho na seleção principal. E eu falei que sim. Ninguém tirou o chapéu de ninguém", afirma Dunga.
Com o grupo praticamente fechado após os títulos da Copa América, em 2007, e da Copa das Confederações, neste ano, Dunga explicou que a sua forma de trabalhar e não dar vantagem para nenhum jogador, fato pelo qual alguns jogadores deixaram de fazer parte do grupo.
"Comigo as coisas são bem mais simples. A seleção é mais importante do que todos. Se alguém quer alguma vantagem, respeito, ascensão sobre o grupo, tem de conquistar dentro do campo. Não dou nada a ninguém, não é treinador que dá vantagem ou reconhecimento ao jogador. Aqui é regra básica: todo mundo se apresenta no mesmo dia, dorme e acorda no mesmo horário", disse Dunga.
O técnico gaúcho, capitão da seleção brasileira na conquista do tetracampeonato mundial, em 1994, nos Estados Unidos, contou que deverá deixar o comando da equipe após a Copa do Mundo de 2010, "para dar oportunidade a outra pessoa" e ressaltou a importância de não se repetir para o próximo mundial o que foi feito na preparação para a Copa de 2006, quando a seleção esteve em Weggis, na Suíça, e os treinos foram agitados com a presença de torcedores e jornalistas.
"Para termos sucesso, nosso trabalho será dar privacidade para a seleção treinar. O treino é a hora de fazer ajustes, de arriscar, de o jogador colocar em prática sua criatividade. Se tiver três mil pessoas gritando em volta, a equipe acaba perdendo a concentração", disse o treinador.
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