Copa do Mundo, concentração na véspera dos jogos, peso e as artimanhas usadas para driblar a pobreza quando criança. Ronaldo falou de diferentes temas nesta terça-feira, na gravação do
Programa do Jô. Viu o apresentador repetir seguidas vezes a palavra gordo e esbanjou bom humor. Quando o assunto foi seleção brasileira, passou a falar sério.
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Seleção atual é unida e 'agride' os rivais, como em 2002, elogia Ronaldo, que sonha disputar Mundial
Um semestre. É o que ele disse que precisa para voltar à seleção brasileira. O atacante do Corinthians avalia que não merecia ser convocado atualmente por Dunga, mas promete um grande esforço para 2010. Talvez o maior de toda sua carreira. Tudo pela Copa do Mundo, na África do Sul.
"Vai depender muito do meu primeiro semestre no ano do centenário do Corinthians. Disputaremos o Paulista, a Libertadores e ali vou ter que mostrar meu melhor desempenho. Hoje, eu mesmo não me convocaria. A seleção está muito bem hoje, mas vou fazer um grande esforço, talvez o maior da minha carreira, para estar na seleção. Vou me empenhar muito para merecer estar lá", disse Ronaldo ao apresentador Jô Soares. A entrevista vai ao ar nesta terça-feira.
A participação do atacante na gravação desta tarde foi descontraída. Jô Soares brincou com frequência com o peso do convidado. Falou que a televisão engorda e recorreu ao bom humor para chamá-lo de gordo algumas vezes. "Que pique, hein, gordo", afirmou o apresentador ao ver no telão a arrancada de Ronaldo em gol diante do São Paulo, nas semifinais do Paulista.
Ronaldo sorriu praticamente o tempo todo, independentemente do tema abordado. E aproveitou o ambiente para defender novamente a redução do regime de concentração no futebol brasileiro. Sutilmente, é claro.
COMPARAÇÃO DO TIME DO PENTA COM O DE DUNGA
Ronaldo jamais foi convocado por Dunga. A última participação do camisa 9 corintiano na seleção ocorreu na derrota do Brasil para a França, em 2006, pela Copa do Mundo na Alemanha.
Mesmo longe da seleção, Ronaldo aponta semelhanças entre o atual elenco nacional com o grupo que conquistou o pentacampeonato mundial, em 2002. Ambos apresentam grande união e "sede" de vitória, analisa o Fenômeno.
Sobre os atuais preferidos de Dunga pelo ataque -Luís Fabiano, Adriano, Robinho, Nilmar, Diego Tardelli e Hulk- Ronaldo reconhece que está aquém fisicamente diante dos concorrentes.
"Pelo menos fisicamente, sim. Eu não preciso mostrar mais nada pela história que eu tenho. O Dunga tem que ter a confiança no jogador, porque o atleta convocado vai ter que correr muito, marcar. A seleção está muito bem. O Dunga conseguiu uma coisa boa: fazer um grupo unido. Esse time me dá a impressão de 2002, podendo machucar o adversário a qualquer momento, como naquela ocasião", disse, também nesta terça, ao SporTV.
"Hoje não acontece mais isso [sexo antes dos jogos], o que é uma pena. Estive falando com o Mano, que gosta muito de concentração. Falei que na época do Barcelona não concentrávamos nos jogos em casa, no PSV também teve isso durante um período. Justamente nesses dois anos minha média de gols era muito alta. Não seria mau [se acontecesse isso]", comentou Ronaldo, quando questionado se sexo antes de uma partida de futebol atrapalha o rendimento.
O
Fenômeno também lembrou seu início no futebol. Recordou que sua primeira "peneira" quando garoto foi no Flamengo, seu clube de coração. Passou nas duas primeiras etapas, mas precisou desistir porque sua família não tinha condições de pagar suas passagens de ônibus. "Minha mãe falou que estava me dando o dinheiro da passagem e estava faltando comida em casa", recordou.
"Aí desisti do Flamengo e fui fazer peneira no São Cristóvão. Pegava só um trem e andava muito. Muitas vezes eu nem pagava [o trem], existia um buraco amigo na estação que era muito frequentado. Então ficou mais fácil para mim", contou o atacante.
Ronaldo ainda falou que, quando criança, cogitava ser militar ou jogador de futebol. "Acho que fiz uma boa escolha." Também dos tempos de garoto, recuperou história da seleção brasileira tetracampeã de 1994. E o personagem principal foi Romário, com quem fez famosa dupla de ataque pouco depois.
"O Romário queria que o ataque fosse eu, ele e o Bebeto e pediu para acompanhá-lo que tudo daria certo. Ele deu uma entrevista e começou a semana pedindo para que eu jogasse. Aí vieram me perguntar. Com medo de falar, disse que queria jogar, mas que a decisão era do Parreira. No dia seguinte o Romário me chamou: 'vem cá, seu moleque. Pô, não quer jogar, car...? Você tem que falar que quer jogar.' Ele me deu um grande esporro", completou Ronaldo, entre risadas.
Bastante aplaudido do início ao fim, o atacante ainda viu no telão os 22 gols que já marcou pelo Corinthians, 11 deles no Campeonato Brasileiro, no qual é o artilheiro da equipe. "Minha convivência no Corinthians é maravilhosa. Todos me aceitam, me entendem e querem aprender comigo. Fui muito bem recebido."
*atualizada às 17h45 UOL Busca - Veja o que já foi publicado com a(s) palavra(s)