A pouco mais de uma semana do sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2010 (no próximo dia 4), o técnico Dunga opinou nesta terça-feira sobre quais seleções, à exceção do Brasil, ele acredita que darão trabalho no Mundial do ano que vem na África do Sul.
Na avaliação do treinador, duas equipes entrarão com muita força na competição. "A Espanha e a Inglaterra cresceram muito. É claro, Itália é sempre Itália, tem Alemanha também. Mas essas duas seleções [espanhola e inglesa] mostraram nos últimos tempos algumas coisas que a gente não tinha visto nelas até então, um equilíbrio maior", opinou o técnico.
Dunga enumerou ainda um terceiro time que deverá tirar o sono dos "grandes" na Copa. "Como já é normal, uma seleção africana deve se sobressair. Qual africana, a gente vai ver na hora. Mas seguramente essas seleções vão surpreender", analisou.
Mas antes mesmo de se preocupar com os adversários, o técnico da seleção está preocupado em preparar bem o combinado e escapar das armadilhas que, em 2006, levaram o Brasil a fracassar na Alemanha.
"A gente tem que tomar cuidado para não cometer os mesmos erros de antes", comentou Dunga, referindo-se, principalmente, ao oba-oba em que se transformou a preparação dos comandados de Carlos Alberto Parreira em Weggis, Suíça, nas semanas que antecederam o Mundial. "A comissão técnica e os jogadores têm que ter tranquilidade. Dentro do trabalho, a gente tem que ter uma privacidade, até para que o jogador possa usar toda a sua criatividade nos treinamentos. A seleção tem que se fechar o máximo possível, não tem jeito".
"Gol de mão" da FrançaAlém de falar sobre os favoritos à Copa de 2010, Dunga e o auxiliar-técnico Jorginho também comentaram a polêmica classificação da França, que só carimbou sua vaga para o Mundial graças a um gol que saiu de um toque de mão de Henry no empate por 1 a 1 com a Irlanda. Para a dupla da seleção brasileira, dificilmente a partida será cancelada pela Fifa, mas servirá para reforçar a discussão sobre o uso de recursos eletrônicos no auxílio à arbitragem.
"Nós só podemos dar uma opinião, porque não sentimos na pele o que a Irlanda sentiu. Então fica mais fácil. Mas se o jogo for cancelado, a França também pode se sentir lesada, porque outros erros foram cometidos em outros jogos e não cancelaram. As pessoas capacitadas é que vão decidir", declarou Dunga. "São lances que alguns equipamentos poderiam ser usados para resolver. Até porque não é um lance que você precisa ver 10 vezes, como acontece aqui algumas vezes e a gente mata um árbitro".
Jorginho endossou as palavras do companheiro. "O futebol mudou muito, a velocidade é muito grande, e isso a gente não leva em consideração quando analisa os árbitros. A Fifa tem visto essa possibilidade [utilizar recursos eletrônicos], e, para que não se crucifiquem os árbitros, eu acho que seria mais justo com eles".
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