
Pôster de Mano Menezes durante sua curta carreira de zagueiro do Guarani-RS |
A confirmação de Mano Menezes como novo técnico da seleção brasileira coloca no mapa uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Na região de colonização alemã, caracterizada pela produção de fumo e distante cerca de 130 quilômetros de Porto Alegre, a pacata Passo do Sobrado, de apenas 6,3 mil habitantes, agora é conhecida como a terra do possível novo treinador da seleção brasileira.
Na modesta rodoviária da cidade, Janete Weber, amiga do treinador, confidencia que nem Mano esperava chegar à seleção pouco mais de dez anos depois de deixar o local para seguir a carreira de técnico de futebol. “Ele pensava que um dia ia ser convidado, mas não imaginava que seria tão rápido”, diz Janete. Na cidade, e na vizinha Venâncio Aires, onde Mano começou como técnico em 1997, ninguém tem dúvidas: ele está pronto para assumir a seleção.
“Eu acho que ele vai se dar muito bem. Ele entende de futebol, é um cara político e sabe muito bem lidar com as coisas”, opina Carlos Gilberto Preuss, professor de educação física de Mano na escola estadual Alexandrino de Alencar.
Mano, de barba, desfila suas qualidades de volante
Mano Menezes, então técnico das equipes de base do Guarani de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul
A amiga Janete Weber exibe a camiseta do Rosário, onde Mano começou. “Ele está preparado”, confia
Além de professor, Preuss foi parceiro de Mano e craque no time do Esporte Clube Rosário, onde, incentivado pelo pai, o técnico da seleção deu seus primeiros passos como jogador de futebol. Na equipe amadora, Mano Menezes era um meio-campista duro e de pavio-curto.
“O professor nos pedia pelo amor de Deus que não tomássemos cartão. Mas não adiantava, em vinte minutos já tínhamos tomado o amarelo”, conta Inácio Dettenborn, amigo de infância e companheiro de Rosário. Jogador limitado tecnicamente, por vezes violento e irritadiço, Mano se destacava pela liderança em campo e pela inteligência.
As boas atuações do Rosário no início dos anos 1980 nos campeonatos da região o levaram ao Guarani de Venâncio, onde foi zagueiro e participou do Campeonato Estadual Amador de 1988, que deu direito ao clube participar da segunda divisão gaúcha.
Dali, ficou apenas mais três anos atuando, mas sem prosperar. Ao ver um jogador recém-contratado chegando à cidade com a mudança que cabia em um carro, teria percebido que não havia muito futuro em ser jogador de futebol no interior do Rio Grande do Sul. Decidiu ser técnico.
Começou como treinador das categorias de base do próprio Guarani. Depois de conquistar títulos, assumiu o time principal em 1997, rodou por alguns clubes gaúchos, fez um estágio com Paulo Autuori no Cruzeiro e chegou a primeira grande conquista aos cinco anos de carreira: o ‘Supercampeonato’ Gaúcho de 2002.
Naquele ano, Grêmio, Inter, Juventude e Caxias só entraram na segunda fase. A primeira parte da competição foi conquistada pelo Guarani. “No vestiário, é o melhor técnico de todos. É claro e objetivo no que quer dizer aos jogadores, e é justo, coloca em campo quem estiver bem”, conta o médico Paulo Abrahão, integrante da comissão técnica na época.
Mesmo no pequeno Guarani, Mano já demonstrava o perfil disciplinador e detalhista. Em uma decisão contra o São Gabriel, fez a equipe se hospedar em outra cidade, para fugir da pressão dos torcedores adversários. “Foi o primeiro a aparecer com um notebook. Sempre foi muito estudioso”, acrescenta Romeu Siebeneichler, supervisor do clube ao qual se dedica há 40 anos.
Na festa do título, Romeu realizou o “sonho” de andar em um caminhão de bombeiros. “Desde a entrada até o centro da cidade, não havia espaço pra mais ninguém”, lembra. Daquela equipe, fazia parte Bolívar, hoje capitão do Internacional. Na imprensa local, Mano foi tratado como herói.
Mas o treinador ganhou notoriedade nacional ao levar o minúsculo XV de Novembro, da cidade de Campo Bom, à semifinal da Copa do Brasil de 2004. No ano seguinte, tirou o Grêmio da Série B, passando pela histórica “Batalha dos Aflitos”. Na sequência, foi campeão gaúcho e levou uma equipe não mais que mediana à final da Copa Libertadores em 2007.
Ironia do futebol, guarda como mágoa na carreira a demissão das categorias de base do Internacional. O passo mais importante até hoje foi assumir o Corinthians. “Ele sempre teve a perspectiva de crescer na carreira, mas não tão rápido assim”, diz a amiga Janete.
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