
Na segunda, centenas de pessoas invadiram o gramado para comemorar a quadra |
Cerca de 270 pessoas se reuniram na segunda-feira na comunidade carente de Liberdade, no bairro de Santa Cruz, na zona norte do Rio de Janeiro. No grupo, 180 crianças aproveitavam: cachorro quente, refrigerante, batata frita, amendoim, tudo de graça para quem estava por lá. A principal atração estava à vista de todos: uma colorida quadra de futebol, com grama sintética, novinha. Com a boca cheia, um menino perguntou para mãe: “Posso ir lá dentro?”. Logo depois, a multidão de jovens invadiu o campo e começou a jogar bola.
A quadra em Santa Cruz: a comunidade, o gramado e as crianças esperando para bater bola
Foi assim que a seleção brasileira de futebol social, nome politicamente correto para o time de sem-tetos do Brasil, ganhou uma casa. A quadra em Santa Cruz é o ponto de partida do legado que o Campeonato Mundial de Futebol Social deixou no Rio de Janeiro. O local, um centro um centro comunitário esportivo e educacional, já tem o campo e uma sala multiuso. No futuro, uma sala de música será montada e um outro campo, também para futebol society, sairá do papel.
Tudo fruto dos esforços brasileiros com a bola no pé. Em setembro, os sem-teto (ou jovens que vivem em situação de risco, como a organização os chama) agitaram as areias de Copacabana. O Brasil venceu o torneio entre os homens e entre as mulheres. Um dos campeões foi Leonardo Pacífico.
Capitão, foi ele que levantou a taça após a conquista verde-amarela. A vitória é simbólica para o jovem morador da favela Pavão-Pavãzinho, na zona sul carioca. “Achei muito importante a participação na competição internacional, pois nos passa alguma perspectiva. Todos somos de alguma comunidade e participar de um projeto internacional e interagir é muito importante para a gente”, disse o jovem de 20 anos, um dos muitos ansiosos para entrar em quadra.
Antigamente um descampado abandonado, o local será administrado pelo Instituto Bola pra Frente, projeto comandado pelo atual técnico do Goiás, Jorginho. A escolha do local foi criteriosa e passou por três organizações: a Homeless World Cup (ONG que organiza o Mundial dos sem-teto), a Nike (patrocinadora do projeto) e a Architecture for Humanity (outra ONG que trabalha com jovens em condição de risco).
O colombiano Daniel Feldman abraçou a ideia e, para desenvolver o projeto, o arquiteto mora há quatro meses na comunidade. “Ainda estamos na primeira fase. Temos uma quadra e esta sala multiuso. O projeto é maior, vamos construir outras instalações”, explicou.
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