
Nesta segunda-feira, a BBC veiculou uma reportagem afirmando que três dirigentes da Fifa, entre eles o brasileiro Ricardo Teixeira, receberam propina da empresa ISL na década de 90. As ligações entre Ricardo Teixeira e a empresa Sanud, suposta via de propina da ISL, foram detectadas pela CPI do Futebol em 2001. A comissão apurou que a Sanud repassou R$ 2,9 milhões para a RLJ Participações, empresa que englobava todos os negócios de Teixeira, entre 1995 e 1999.
O relatório da CPI supõe que mais pagamentos teriam sido feitos entre 1993 e 1995. O que não pôde ser comprovado porque a investigação não teve acesso ao sigilo bancário da RLJ antes de 1995. Oficialmente, a Sanud era dona de 50% da RLJ. Os outros sócios da RLJ seriam o próprio cartola (25,01%) e sua ex-mulher, Lúcia Havelange Teixeira (24,99%), filha de João Havelange, ex-presidente da Fifa.
O dinheiro deveria ser utilizado para integralizar as cotas societárias da RLJ. Integralização é o ato pelo qual cada sócio cumpre sua obrigação para a formação do capital de uma empresa. Mas a sociedade entre Sanud e RLJ nunca chegou a se concretizar. O dinheiro entrou no Brasil com um objetivo e foi usado para outro.
"Em lugar da integralização, esses recursos foram desviados da finalidade a que se destinavam, sendo carreados à RLJ na forma de empréstimos, em que a Sanud figura como emprestador", aponta a página 413 do relatório da CPI. "Em última instância, Teixeira se beneficia de recursos da Sanud, oriundos de paraíso fiscal e de propriedade desconhecida", diz outro trecho do documento.
Apesar de aparecer como "empréstimo" nos balancetes da RLJ, o dinheiro nunca foi devolvido à Sanud, que fechou as portas em janeiro de 1999 sem nunca cobrar a dívida ou os juros. Na CPI da CBF/Nike, da Câmara dos Deputados, a Sanud apareceu como proprietária de uma casa onde Ricardo Teixeira morava, no Rio.
O relatório final da comissão recomenda ao Ministério Público Federal que investigue as negociações entre Teixeira e Sanud. "As ações na Justiça Federal do Rio foram trancadas, sem prejuízo quanto ao tempo de prescrição", disse o senador Álvaro Dias, presidente da CPI do Futebol.
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