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03/12/2010 - 13h13

No adeus, Richarlyson diz: 'se eu fosse homossexual, não interferiria em campo'

Carlos Padeiro
Em São Paulo

Em meio a lágrimas, homenagens de jogadores e dirigentes, Richarlyson se despediu do São Paulo na manhã desta sexta-feira. O assunto que pautou a sua última entrevista coletiva foi a não aceitação de parte da torcida durante os cinco anos e meio que ele passou no clube por conta do seu comportamento fora de campo.

O jogador de 27 anos afirmou que a sua resposta foi dada com três títulos brasileiros e um mundial, além de uma breve passagem pela seleção brasileira. Disse ainda que não pode ser julgado pela sua vida pessoal.

“Mesmo se eu fosse homossexual, isso não interferiria em campo”, decretou o meio-campista.

“A resposta é: títulos e seleção. É o que tenho que falar para eles. É preciso respeitar o profissional. Dentro de campo sempre dou meu máximo. Se para eles minha vida pessoal é mais importante, se eles querem questionar isso ou aquilo, peço desculpas por não ter agradado a todos, mas vou viver minha vida. Me desculpem se não fui aquilo que eles gostariam que eu fosse, porque eu não poderia ser”, acrescentou.

A última partida de Richarlyson pela equipe do Morumbi ficou marcada por uma nova expulsão, a quarta na temporada. O árbitro Heber Roberto Lopes relatou na súmula que teria sido chamado de veado pelo são-paulino.

“Fiquei triste com as declarações do Heber Roberto Lopes e seu assistante. Primeiro porque não fiz falta, segundo porque não o xinguei e terceiro porque jamais o xingaria de veado. Fiquei muito triste. Aceitei críticas sobre outras expulsões, assimilei os erros, mas inventar coisas é feio e não vou aceitar”, comentou.

Enquanto Richarlyson concedia a entrevista, outros  jogadores invadiram a sala de imprensa e cantaram a música “A amizade”, do grupo Fundo de Quintal. Eles fizeram uma pequena alteração na letra, para homenagear o futuro ex-companheiro. “Quero chorar o seu choro, quero sorrir seu sorriso, valeu por você existir, Richarlyson”

Veja os principais trechos da coletiva de Richarlyson, na manhã desta sexta-feira, no CT da Barra Funda.

- Críticas de parte da torcida
Estou muito feliz de estar aqui nesse momento. Feliz de dar essa entrevista vitoriosa dentro do São Paulo, falando de cinco anos e meios de muitas conquistas, prêmios individuais, amigos... É tão banal vir aqui e falar de coisas fúteis, da pequena parcela de torcedores quer não conquistei. Vai ficar como uma nuvem que passa no céu naquele dia chuvoso. O que vai ficar marcado é o dia de sol. Fico triste se não conquistei 100% da torcida, mas feliz de ter conquistado 99%.

- Motivo para a diretoria não renovar o contrato foram as expulsões?
A justificativa é que haverá uma nova filosofia de trabalho e que eles vão privilegiar a base. Até por não ter atingido uma conquista maior esse ano, como a vaga na Libertadores, entendo que a diretoria queira trazer jogadores novos e reformular o elenco.
Conversei com o Juvenal, falei que poderia continuar, mesmo que fosse diferente da minha vontade em termos financeiros, mas a filosofia é diferente. Quando não atinge os objetivos, você é obrigado a aceitar algumas coisas. Aceitei de boa. O mais importante é que vou sair pela porta da frente. Está todo mundo sujeito a expulsões.

- Vai para a Europa ou fica no Brasil?
O futebol brasileiro hoje está tão competitivo e com um alto nível até em termos financeiros. Uma proposta da Europa não é tão instigante como antigamente. Lá fora existem muito mais contras do que prós. Você tem de começar do zero, agüentar o clima diferente, converter a moeda... Aqui  você está no seu país, com seu idioma. Teria que ser uma proposta muito boa, tentadora para eu deixar o Brasil. Se tiver proposta do Brasil agradável, fico aqui.

- Você já acertou com o Fluminense?
Não. Não tem nada confirmado.

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